II Seminário Nacional de Sociologia da Universidade Federal de Sergipe


O Seminário Nacional de Sociologia da UFS é um evento organizado por uma equipe de professores e pelos alunos do Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe e visa oferecer um espaço de discussão da produção científica a partir do intercambio de experiências e conhecimento. Em sua segunda edição, o Seminário pretende contribuir para a discussão das marcas da sociologia brasileira, procurando destacar tanto as conquistas quanto os principais desafios do seu estabelecimento no cenário internacional.

A sociologia brasileira conta com uma ampla tradição de estudos que marcaram o desenvolvimento tanto do pensamento social quanto de pesquisas fortemente baseadas em estudos empíricos e sócio-históricos. Sua história é produto de um conjunto de contribuições teóricas e metodológicas amplamente marcadas pelo debate realizado “além dos trópicos”. O crescente processo de institucionalização e profissionalização conduziu a diversificação não só das temáticas, como também dos modelos de análises e dos procedimentos metodológicos.

Os últimos congressos nacionais e internacionais da área (Associação Latino Americana de Sociologia/ALAS; Sociedade Brasileira de Sociologia/SBS) já têm apontando o crescente desafio para compreender as raízes e os traços da sociologia feita no Brasil e na América Latina.

Portanto, tem sido um esforço constante para a sociologia como prática científica refletir sobre as condições sociais de sua produção, sua marca e seu lugar no espaço científico internacional. Isso envolve, certamente, levar em consideração a criatividade acadêmica, o intercambio interinstitucional e a importância da sociologia para compreensão das mudanças no mundo de hoje. Estas e outras questões nortearam a construção da proposta do II Seminário Nacional de Sociologia da UFS.

CRONOGRAMA E PRAZOS

Até o dia 10/12/2017​: Envio das propostas de Grupos de Trabalho para a Comissão Organizadora
Até o dia 12/12/2017: Divulgação do site do evento e abertura oficial para recebimento de trabalhos
Até o dia 29/01/2018: Envio das propostas de Mesa Redonda e Minicursos.
Até o dia 28/02/2018: Prazo limite para encaminhamento de resumos para os Grupos de Trabalho​
Até o dia 15/03/2018: Divulgação dos resumos aprovados
(Prorrogado) Até 13/04/2018: Prazo final para envio dos artigos aprovados

25 a 27 de abril: II Seminário Nacional de Sociologia da UFS

Programação

25/04 (Quarta-feira)
09h-16h: Credenciamento no Hall da Didática V
14h-18h: Minicursos
18:30-21h: Conferência de Abertura

26/04 (Quinta-feira)
08:30-10:30: Mesa-redonda 1
10:30-12:30: Mesa redonda 2
12:30-14h: Intervalo para o almoço
14h-18h: Grupos de Trabalho
18:30-20:30: Mesa-redonda 3

27/04 (Sexta-feira)
08:30-10:30: Mesa-redonda 4
10:30-12:30: Mesa-redonda 5
12:30-14h: Intervalo para o almoço
14h-18h: Grupos de Trabalho

Programação 2

Conferência de Abertura

Título: A consolidação e os novos desafios da Sociologia no Brasil: expansão institucional e cultura acadêmica.
Conferencista: Prof. Dr. Jacob Carlos Lima
Data: 25/04
Horário: 18:30-21h
Local: Auditório da Didática V

GRUPOS DE TRABALHO

GT1: CIDADES E CULTURAS URBANAS
Coordenadores: Prof. Dr. Rogério Proença Leite (PPGS/UFS) e a Profa. Dra. Simone de Araújo Pereira (DCS/UFS)
E-mail: sociologiaurbanaufs@gmail.com

As cidades contemporâneas revelam muitas vezes sua face mais violenta pelos usos dissonantes dos seus espaços públicos, os quais se tornam ainda mais complexos com o entrecruzamento das realidades virtuais: a vida na cidade alimenta as redes sociais que nutrem ações e manifestações concretas na cidade. Os espaços de convivência pública parecem cada vez mais moldados pelas manifestações discordantes sobre o que seria viver a cidade. Os usos do espaço acabam por incidir sobre as representações do cotidiano e dos modos de vida urbano e tornam-se reflexivos na medida em que estão subordinadas aos acessos às demarcações físicas e simbólicas que são estabelecidas, tanto pelo uso cotidiano no espaço, quanto por intervenções arquitetônicas, urbanísticas ou patrimoniais que alteram a paisagem e balizam a vida cotidiana. Este grupo de trabalho pretende reunir contributos em campos e áreas diversos dos estudos sobre as cidades e sobre os patrimônios materiais e imateriais, com vistas a discutir as possibilidades de co-viver na cidade contemporânea.
Sessão I – 26.04/14-16h
Local: Didática 6, SALA 102
​1. Produção Literária e Espaço Urbano: apontamentos sobre o movimento da literatura marginal em São Paulo.
Lucas Amaral de Oliveira (PPGS-USP)
2. Percursos errantes sobre a cidade.
Diego Pontes (UFPR)
3. O sentido público do espaço urbano: notas preliminares a um debate
Saulo Vinícius Souza Barbosa (PPGS/UFS)
4. Por identidades que não subtraiam o humano na cidade.
Josevânia Nunes Rabelo (CODAP/UFS)
Debate
Sessão II – 26.04/16-18h
Local: Didática 6, SALA 102
5. Consumo e vida urbana nas cidades médias: a reestruturação da Área Central de Pelotas.
Eder Claudio Malta Souza (Labeurc/PPGS/UFS)
6. Espacialidade, e Dinâmicas Simbólicas de Comercialização na Cidade de Juazeiro do Norte-CE.
Fagner José de Andrade (PPGA/UFPE) e Mísia Lins Vieira Reesink (PPGA/UFPE)
7. Ócio seletivo: espaços públicos de lazer à luz da Geografia Crítica.
Rhuan Cambuí Machado (UFRB)
8. Urbanização litorânea, lazer e meio ambiental: a praia do saco em Estância/SE.
Simone de Araujo Pereira (PPGS/UFS)
Debate
Sessão III – 27.04/14-16h
Local: Didática 6, SALA 102
9. Antropologia e Sociologia Urbana: a cidade e a vida urbana como problemas socioantropológicos.
José de Oliveira Júnior (PPGCS/UNISINOS) e José Rogerio Lopes (PPGCS/UNISINOS)
10. A agência de grupos religiosos em espaços urbanos: o caso dos evangélicos neopentecostais a partir da Teologia da Prosperidade
Daniela Senger (PPGS/UFS)
11. Uma análise da imagem da estátua em homenagem a arthur bispo do rosário localizada na cidade de Japaratuba, Sergipe.
Tayara Barreto de Souza Celestino (PPGCULT/UFS)
12. Juventude e resistência: ocupações culturais em Sergipe.
Juliana S. Monteiro Vieira (PPGED/UFS)
Sessão IV – 27.04/16-18h
Local: Didática 6, SALA 102
13. Turismo e patrimônio em São Cristóvão – SE.
Lara Brunelle Almeida Freitas (IFSE), Lício Valério Vieira (IFSE) e Fabiana Faxina (IFSE)
14. Desvendando um patrimônio: produção de um inventário participativo.
Andrea Rocha Santos Filgueiras (PROHIS/UFS)
15. Interfaces da Patrimonialização: valores, conflitos e co-vivência na cidade-patrimônio de Penedo (AL)
Maria Augusta Mundim Vargas (PPGEO/UFS) e Danielle Pereira de Souza Silva (DTUR/UFS)
16. O patrimônio mundial da UNESCO: distanciamentos da fundamentação e das premissas institucionais.
Allan Rafael Veiga (LABEURC/PPGS/UFS)
​Debate

GT2: DINÂMICAS DE PODER E PRÁTICAS POLÍTICAS
Coordenadores: Prof. Dra. Fernanda Rios Petrarca (PPGS/UFS) e Prof. Dr. Wilson José Ferreira de Oliveira (PPGS/UFS)
E-mail: leppufs@gmail.com

Este GT visa reunir trabalhos que tenham como eixo comum a reflexão sobre os princípios de estruturação e as dinâmicas de funcionamento do poder e suas relações com gramáticas e práticas políticas diversificadas. Trata-se de dar conta das condições e dos processos de recrutamento e de seleção e das estratégias de reprodução e consagração social acionadas por atores e grupos diversificados (políticos, profissionais, militantes, culturais, religiosos, etc.), como também de apreender as gramáticas políticas e as lógicas práticas de suas intervenções em diferentes espaços sociais. O debate em torno desta problemática se organizará com base em dois eixos principais. A) Análises dos grupos profissionais (jornalistas, médicos, advogados, políticos, etc.), com o objetivo de examinar: a importância da política nos conflitos e lutas profissionais; as relações entre profissões e política; as modalidades de inserção e exercício profissional e suas relações com formas de atuação e engajamento militante na defesa de causas publicas; os usos dos conhecimentos técnicos e profissionais na formulação e operacionalização de políticas públicas. B) Investigações das dinâmicas de construção de causas e de operacionalização de ações públicas, com o objetivo de apreender as condições, as atividades e as gramáticas políticas colocadas em prática: nos eventos de protesto; nas dinâmicas de engajamento e atuação profissional em partidos políticos; nas formas de interação do Estado com movimentos sociais diversificados; nos processos de elaboração e implementação de ações e políticas públicas.
Sessão I – Militância feminina, ocupações e Estado (26.04)
Local: Didática 2, Sala do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS)
Debatedora: Adrielma Santos (PPGS/UFS)
1. Representações identitárias e visibilidade: um estudo de caso através da asimusep.
Carlos Bezerra
2. O Novo Amanhecer da ocupação: uma narrativa fotoetnográfica de uma reintegração de posse.
Diego Bragança
3. Elites Jurídicas e Defesa de Causas Sociais: A Luta no Combate a Violência Contra a Mulher.
Marília Jesus (PPGS/UFS)
4. Análise de carreiras militantes femininas dissociada de um modelo masculino.
Verônica Santos (PPGS/UFS)
Sessão II – Militância, políticas públicas e grupos dirigentes (26.04)
Local: Didática 2, Sala do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS)
Debatedor: Maurício Doré (PPGS/UFS)
1. Políticas públicas culturais: o campo da cultura em disputa política e profissional.
Carla Rodrigues
2. Dinâmicas Estatais e Políticas Públicas. Uma Análise da Gestão dos Resíduos Sólidos.
Jair Xavier (PPGS/UFS)
3. Gênese e Redefinição do Meio Ambiente como uma Causa Pública.
Naiane Santos (PPGS/UFS)
4. Família, Parentela e Relações Pessoais no Estudo dos Grupos Dirigentes.
Fernanda Rios Petrarca (PPGS/UFS) e Wilson José Ferreira de Oliveira (PPGS/UFS)
Sessão III – Grupos dirigentes, carreiras e saberes profissionais (27.04)
Local: Didática 2, Sala do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS)
Debatedora: Pâmella Santos (PPGS/UFS)
1. Direito, política e poder – o bacharelismo jurídico como instrumento de conservação das elites sergipanas no século XIX (1840-1889).
Arthur Lima (PPGS/UFS)
2. Habilidades sociais para inserção e ascensão profissional na arquitetura e urbanismo.
Cristiano Pacheco (PPGS/UFS)
3. Os governadores sergipanos, pós-redemocratização do brasil: modalidades de inserção, processo de recrutamento e investimentos na formação de carreiras políticas.
Fagner Bonfim (PPGS/UFS)
4. Jornalistas sergipanos e suas conexões com a elite política local, um atalho para o sucesso.
Isabel Rocha
Sessão IV – Engajamento e relações entre profissão e política (27.04)
Local: Didática 2, Sala do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS)
Debatedora: Karina Garcia (PPGS/UFS)
1. Redes de relações na magistratura Sergipana.
Carlos Henrique Filgueiras Prata de Almeida (DCS/UFS), Letícia Oliveira Feijão Galvão (DCS/UFS) e Samara Aragão (DCS/UFS)
2. Vinculações entre medicina política e medicina profissional: reflexões teóricas acerca da expertise identitária poliédrica e a politização da profissão médica em Aracaju.
Igor da Silva Salmeron (PPGS/UFS)
3. Entre a resistência e a integração: Os trabalhadores mineiros de Huanuni e o governo Evo Morales (2006-2014)
Joallan Rocha
4. A sociologia da política sob o prisma da etnografia e do empirismo: interlocuções, perspectivas e realidades.
Larissa Mendes
5. Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe: parentelas e padrões de recrutamento no pós-30.
Thomas Medrado (PPGS/UFS)

GT3: SOCIOLOGIA ECONÔMICA: ANÁLISES DOS MERCADOS E ORGANIZAÇÕES
Coordenadores: Profª. Drª Marina de Souza Sartore (PPGS/UFS) e Antonio Daniel Alves Carvalho (Doutorando PPGS/UFS)
E-mail: marinasartore.ufs@gmail.com

Este GT é proposto como um espaço de diálogo entre trabalhos com o eixo temático comum aos estudos sobre fenômenos econômicos e suas configurações políticas, econômicas, sociais, culturais vistas pela perspectiva das teorias da Sociologia Econômica. Serão priorizados trabalhos que identifiquem a economia como resultado de processos sociais e que contribuam para o debate teórico e metodológico sobre: a) os processos de construção social, política e cultural dos mercados e/ou de indicadores; b) os processos de classificação dos mercados; c) os estudos de redes no enfoque da sociologia econômica.
Sessão I – A lógica da construção social dos mercados e o discurso econômico (26.04)
Local: Didática 6, sala 104
Debatedor: Ms. Antonio Daniel Alves Carvalho
1. Uma análise do economicismo: da sociologia econômica à descolonialidade.
Bruno Ferreira Freire Andrade Lira (PPGS/UFPB)
2. Como as instituições pensam o ENADE: O caso da Unit em Sergipe.
Andrews Veikman Nunes Caetano (PPGS/UFS)
3. As livrarias megastores e a digitalização do simbólico: convergências e divergências na configuração do mercado editorial brasileiro.
Carlos Alexsandro de Carvalho Souza (PPGS/UFS)
4. Financeirização para organização do trabalho: Impactos nos modelos de gestão e cultura organizacional.
Luana Duarte Ferrari Lopes Lima (PPGS/UFS)
5. A elasticidade social dos mercados: mercado funerário.
Sidnei Ferreira dos Santos (PPGCS/UNESP – Araraquara)
6. Reflexões sobre a moeda social e seu poder de comercialização em comunidades.
Bruno Silvestre Silva de Souza (UFCG) e Marcelo Pereira Souza (PPGS/UFS)
7. O papel do TripAdvisor no comportamento dos proprietários dos bares pé-na-areia na orla sul de Aracaju.
Yerushalaym Abraão Bispo Santana (Economia/UFS)
Sessão II – Tipos de economia: turismo, criativa, colaborativa, solidária e ambiental (27.04)
Local: didática 6, sala 105
Debatedora: Profa. Dra. Marina de Souza Sartore
1. Repartição de benefícios, regulação de mercados e biodiversidade – interfaces possíveis?
Manoel Ricardo Vilhena (DER/UFV)
2. Desvendado a economia colaborativa: Definições e mapeamento de empreendimentos e inciativas.
Antonio Daniel Alves Carvalho (PPGS/UFS)
3. Sobre a luz da Sociologia do turismo: análise das ideias de Krippendorf ao contexto do Turismo de Base Comunitária na Ilha Mem de Sá.
Estefanni Patrícia Santos Silva (PPGTUR/UFS)
Janaína Cardoso de Mello (PPGTUR/UFS)
4. A economia criativa do patrimônio e das artes em Laranjeiras(SE): o caso dos museus.
Janaína Cardoso de Mello (DHI/UFS)
Priscila Maria de Jesus (MNS/UFS)
5. Turismo e economia criativa na Ilha Mem de Sá -Litoral Sul Sergipano – Brasil.
Lilian Maria de Mesquita Alexandre (PPGEO/UFS)
6. O mercado da economia e das redes solidárias no território centro sul de Sergipe.
Daniela Santos Feitza (Geografia/UFS), José Eloízio da Costa (PPGGEO/UFS) e Adriana Lisboa da Silva (PPGG/UFS)

GT4: RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E DE GÊNERO
Coordenadores: Prof. Dr. Frank Marcon (PPGS/UFS) e Profa. Dra. Mariana Selister Gomes (PPGS/UFS)
Email: gtgeneroetnia@gmail.com

Desde o ano de 2015 vivemos uma série de retrocessos no que tange a igualdade de gênero e étnico-racial no Brasil. Assistimos o avanço do PL 5069, que dificulta o atendimento a mulheres vítimas de violência sexual, a retirada da igualdade de gênero como objetivo do Plano Nacional de Educação, a emergência do termo “ideologia de gênero”, que pretende desvalorizar a longa trajetória acadêmica e política dos Estudos de Gênero. Vivenciamos a tragédia dos assassinatos de jovens negros pela polícia, o racismo a personagens públicos pelas redes sociais, o massacre de comunidades indígenas. Esta onda conservadora emerge em resposta a uma década de avanços das ações afirmativas e das políticas de gênero. Por sua vez, fortalecem-se movimentos de resposta, como a Primavera Feminista, a Primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras, a Marcha Nacional contra o Genocídio da Juventude Negra. Este cenário reafirma a necessidade da Sociologia, e das demais Ciências Sociais e Humanas, voltarem suas atenções para os Estudos de Gênero e das Relações Étnico-Raciais. Este GT pretende acolher trabalhos com diferentes recortes empíricos e propostas metodológicas, os quais busquem avançar na discussão e na compreensão das dimensões de gênero e étnico-raciais, bem como, de suas interseccionalidades.
Sessão I – Relações raciais: políticas, práticas e representações (26.04)
Local: Didática 3, sala de reunião do DGE
Debatedor: Prof. Dr. Frank Marcon
1. Herança preta, história branca: um olhar sobre a história e cultura africana e afro-brasileira nos contextos universitários de angola e do brasil.
Yersia Assis
2. O poder feminino de Yansa e o esquecimento do negro no museu.
Rafael Dantas
3. Etnocentrismo, preconceito e racismo: uma discussão sobre resultados de pesquisas do Google.
Caroline Lins
4. Representações das diferenças: discursos sobre gênero e raça na imprensa hegemônica brasileira.
Danielle Noronha
5. Turismo e patrimônio cultural: as manifestações culturais da Mussuca em Laranjeiras/SE.
NASCIMENTO, T.
6. Na trilha do patrimônio cultural negro: etnia e relações de poder na cartografia urbana de Aracaju (SE).
Hiago Silva
Sessão II – Relações de gênero, representações e intersecções (27.04)
Local: didática 5, sala 12
Debatedora: Profa. Dra. Patrícia Rosalba
1. Adolescentes mulheres em conflito com a lei e os elementos interseccionados no contexto das infrações juvenis.
Elida Braga
2. Déficit regulatório e violência de gênero no Brasil.
Dimas Duarte Júnior
3. A representação da mulher no cenário midiático nacional: reflexões sobre a identidade feminina em telenovelas brasileiras.
Ethiene Fonseca
4. O tabu do corpo da mulher: espaços de empoderamento na cibercultura
Janaina França
5. As mulheres do movimento negro unificado em Goiás (Mnu-go): o lugar do feminino nas ações mobilizadoras contra o racismo.
Gabrielle Silva
6. Lista VIP uma etnografia das festas LGBT na cidade de Maceió.
Carlos Santos
7. A persistência de casos de violência contra a mulher nas cidades do interior.
Thamires Santos
8. Alyne Pimentel versus Brasil: uma análise feminista acerca dos direitos reprodutivos no estado brasileiro.
Paula Seixas

GT5: MOBILIDADE HUMANA E INTERCULTURALISMO: DIVERSIDADE CULTURAL, POLÍTICAS DE INTEGRAÇÃO E DIREITOS HUMANOS
Coordenador: Marcelo Alario Ennes (PPGS/DCS/GEPPIP/UFS)
Debatedores: Allisson Gomes dos Santos Goes. (Doutorando/PPGS/UFS), Cleber Souza (Meneses Doutorando/PPGS/UFS). Liliana Aragão (Meneses Doutorando/PPGS/UFS)
Email: geppip@gmail.com

A mobilidade humana é um tema de grande importância na sociedade globalizada. Além dos fluxos migratórios internacionais e regionais, abrange também a problemática do refúgio que nos últimos anos, em razão de conflitos armados e de problemas ambientais, passou a se figurar como uma questão dramática e de grande importância política e sociológica. A mobilidade humana produz mudanças e problemas sociais e econômicos. Além dessas duas importantes dimensões há as questões culturais e políticas expressas por meio das tensões entre diversidade, identidade, alteridade, bem como, das políticas de integração e dos direitos humanos. Este GT propõe-se a abrigar trabalhos de pesquisa em nível de iniciação científica, mestrado e doutorado, bem como de docentes e pesquisadores, que abordem a o tema da mobilidade humana. O GT discutirá resultados de pesquisa e enfoques teórico e metodológico e serão priorizados trabalhos que estimulemo debate e o aprofundamento da temática por meio de uma perspectiva processual e relacional.
Sessão I – Migrações internacionais (26.04)
Local: didática 3, auditório do CECH
1. Mobilidades contemporâneas na Amazônia: o caso dos haitianos em Manaus.
Allisson Goes (UFS)
2. Caminho Reverso. Movimentos de imigrantes empreendedores italianos em Sergipe – análise sobre as peculiaridades de uma “incrustação mista” (Mixed Embeddedness em Sergipe).
André Luiz Santos de Oliveira (UFS)
3. Breve análise quanto ao processo identitário dos imigrantes venezuelanos em Boa Vista/RR.
Patrícia Padilha (UFS)
4. Trabalhadores Estrangeiros no Brasil nos Sécs. XIX e XX: uma análise sobre casuísmos presentes no ordenamento jurídico brasileiro.
Flávia de Ávila (UFS)
5. Mobilidade internacional: o perfil dos imigrantes residentes nas regiões norte e nordeste do brasil.
Rosinaldja Batista dos Santos Morato (UFS)
6. Refúgio e migrações forçadas na América Latina: uma perspectiva decolonial.
Mariana de Medeiros (UFS) e Luísa Maria Ramos da Costa (UFS)
​Sessão II – Estudos migratórios: múltiplas abordagens (26.04)
Local: didática 3, auditório do CECH
1. Discussões sobre identidade religiosa: o caso dos peregrinos
Marcelo Pereira Souza (UFS)
2. Adaptação, saúde e interculturalidade: contributos para a promoção da integração, saúde mental e direitos humanos de migrantes e refugiados.
Natalia Ramos (UAB/Portugal)
3. Reflexões sobre os impactos da reforma trabalhista para os “novos rostos” da imigração no Brasil.
Vanito Ianium Vieira Cá (UFGRS) e Jussara Maria Rosa Mendes (UFGRS)
4. Dança (folclórica?) Israelita: uma nova tradição que passou a servir como referência para identificação étnico-judaica entre judeus de diversas comunidades da diáspora.
Fernando Davidovitsch (UFS)
5. O lugar do interculturalismo nas políticas imigratórias em Portugal e Espanha: entre avanços e recuos
Naralia Ramos (UFS) e Marcelo Ennes (UFS)
Sessão III – Migrações, gênero, sexualidade e corpo (27.04)
Local: didática 5, sala 14
1. Diáspora Trans: mobilidades espaço-temporal e de gênero.
Cleber Menezes (PPGS/UFS)
2. Casamentos interculturais: uma proposta de revisão de literatura.
Liliana Aragão de Araújo (PPGS/UFS)
3. Reconfigurações identitárias: gênero e sexualidade.
Gabriel Franco Borba (UFS)
4. Percepções e modificações corporais.
Carolina Olmedo Méndez (UFS)
Sessão IV – Migrações no contexto local (27.04)
Local: didática 5, sala 14
1. Migração nordestina e forró: estimulando a empatia histórica.
Monaquelly Carmo de Jesus
2. Processos identitários, mobilidade social e migração urbana: estudo sobre a empresa vale fertilizantes em Sergipe.
Eduardo Alves Neto (UFS)
3. Notavelmente invisíveis: os indivíduos em situação de rua do bairro Rosa Elze
Lourenço Santos Regis (PPGS/UFS)
4. Juventude Rural entre o Partir e o Permanecer no Campo: A dinâmica dos jovens rurais do município de Bela Vista de Goiás/Goiás.
Lorrany dos Santos Ferreira (UFG) e Andréa Vettorassi (UFG)
5. Dinâmicas de mobilidade estudantil na Universidade Federal de Sergipe.
Maria Luziara Nascimento (UFS)

GT 6: PENSAMENTO SOCIAL E EDUCAÇÃO
Coordenador: Prof. Dr. Ivan Fontes Barbosa (PPGS/UFS) e Prof. Dra. Vilma Soares (PPGS/UFS)
E-mail: ifb@bol.com.br

O Grupo de Trabalho sobre o Pensamento Social e educação tem como objetivo fomentar leituras, debates, eventos e pesquisas dedicadas ao estudo e análise acerca da recepção das ciências sociais no Brasil, com o intuito não apenas de identificar e perceber os horizontes teóricos e metodológicos utilizados por essas reflexões, mas também os limites e alcances das perspectivas empregadas para a compreensão da sociedade brasileira e seus processos educacionais. O GT pretende agregar contribuições da área de Pensamento Social e dos estudos das ciências sociais sobre a educação em interlocução com outras áreas do conhecimento, bem como colaborar para o fortalecimento de uma agenda de pesquisas sobre esse tema, visando compreender as complexas e crescentes interpretações sobre as relações entre ciências sociais, educação e sociedade brasileira.
Sessão I (26.04)
Local: Auditório da didática 5
1. As Ciências Sociais e a Questão Ambiental nos escritos de Guerreiro Ramos.
Marcus Bernardes de Oliveira Silveira (UFGO)
2. Felte Bezerra e a recepção das ciências sociais no Brasil
Fábio Silva (PPGS-UFS)
3. Nísia Floresta: a mulher pensada “fora” da geração de 1870
Anna Kristyna Araújo da Silva Barbosa (PPGS-UFPE) e Esdras Bezerra Fernandes de Araújo (PPGS-UFPE)
4. Notas sobre a chegada do livro “A dominação masculina” (1998) no Brasil
Claudia Kathyuscia Bispo de Jesus (PPGCS-UFCG).
5. O Brasil e as Principais Influências Internacionais em seus Períodos Históricos.
Alessandra Rodeiro Pereira (PPGS-UFS) e Marcelo Pereira Souza (PPGS-UFS)
6. Perspectivas sobre a educação brasileira no século XIX, estudo de caso sobre Manoel Bomfim.
Ivan Paulo Silveira Santos (SEED-SE)
Sessão II (27.04)
Local: didática 5, sala 16
1. “Vale Ponto, professora? ”: Um estudo preliminar das relações de alunos aos saberes e à escola no Colégio de Aplicação da UFS.
Lucas Vieira Santos Silva(Licenciatura em Ciências Sociais-UFS) e Tâmara de
Oliveira (DCS-UFS)
2. A experiência de afiliação entre estudantes de universitários de origem popular.
George Michael Borges de Oliveira (UFOB)
​3. Ampliando o debate sobre novas perspectivas metodológicas.
Carlota Augusta de Brito Gomes, Vitória Bernardo Pereira, Ingrid Rodrigues Cirino, Jardina Kelly da Silva e Leandra Almeida (Licenciandas em Ciências
Sociais/UFPB)
4. Expectativas dos jovens em escolas públicas na cidade de João Pessoa.
Mirella da Luz Parente Sampaio (Licenciatura em Ciências Sociais/UFPB), Maria Paula dos Santos Lima (Licenciatura em Ciências Sociais/UFPB) e Geovânia
da Silva Toscano (DCS-UFPB)
5. Interseccionalidade e interface entre Violências nas Universidades Federais e Poderes : Exilar, Desertar ou Resistir?
Cleildes Marques de Santana (UFOB-CEHU), Clayton Emanuel Rodrigues (UFOB-
CEHU)
6. Luta de classes, conservadorismo e educação.
Bartira Telles Santos (DED- UFS) e Carlos Alberto Junior (UFS);
7. O construto do “habitus socioambiental” no contexto da educação ambiental e
ecopedagogia: um ensaio teórico.
Rosa Adeyse Silva (PPGCISH/UERN), Hionne Mara da Silva Câmara
(PPGCISH/UERN), Jeanemeire Eufrásio da Silva (PPGCISH/UERN)
8. Reflexões sobre a lei de diretrizes e bases da educação nacional/LDB à luz do pensamento sociológico.
Bruna Marques de Oliveira (PPGED-UNIT), Andrews Veikman Nunes Caetano
(PPGS-UFS) e Marcelo Pereira Souza (PPGE-UFS)

GT7: DIREITOS HUMANOS, POLÍTICAS PÚBLICAS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Coordenadores: Prof. Dr. Paulo S. C. Neves (PPGS/UFS) e Ruth Paes Ribeiro (doutoranda PPGS/UFS)
Emails: pscneves@hotmail.com / ruth.paesribeiro@gmail.com

No Brasil contemporâneo, a ação estatal tem sido marcada por duas tendências hegemônicas e complementares, quais sejam: o uso da participação social como critério de legitimidade das políticas públicas e o reconhecimento das demandas de direitos e de identidades de grupos sociais considerados como minorias. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que diversos movimentos sociais têm buscado obter do Estado o reconhecimento de direitos tidos como direitos humanos e, portanto, como critérios de avaliação da democracia no país, a participação de militantes e organizações nas estruturas estatais de cunho participativo tem sido uma das principais (senão a principal) estratégias de ação desses movimentos. Nesse sentido, o GT se propõe como um espaço de reflexão sobre as interfaces que se tecem entre ação estatal, participação social e demandas de direitos. Estudos de caso em áreas como educação, saúde, segurança pública, políticas agrárias, etc. serão bem vindos.
Sessão I – Direitos, violência e juventude (26.04)
Local: Didática 6, sala 8
1. Escravidão moderna na Guatemala.
Fran Espinoza (UNIT) e Davide Carbonai (UFRGS)
2. Criminologia: uma ciência interdisciplinar necessária para a compreensão dos modelos de prevenção ao delito sob à ótica restaurativa.
Davi Reis de Jesus (UNIT)
3. A gestão privada e os novos limites da pesquisa de campo nas prisões.
Aline Passos de Jesus Santana (UFS)
4. Juventude, HIV/aids e atuação do conselho LGBT em Alagoas.
Regina Trindade Lopes (UFS/ICS-UFAL)
5. Direito fundamental à profissionalização do jovem: uma análise da política pública de aprendizagem no estado de Sergipe no biênio 2016-2017.
João Víctor Pinto Santana (UFS) e Karyna Batista Sposato (UFS)
6. Um olhar sociológico para os desafios das políticas públicas voltadas para as juventudes.
Alessandro da Silva Guimarães (UFES)
7. Quando as vozes não calam: implicações das lutas sociopolíticas pelo combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil.
Rosângela da Silva Santos (UFCG)
8. Ensino Confessional nas escolas públicas: perpetuação de desigualdades entre as religiões no Brasil e a utopia do direito à liberdade religiosa.
Alberto Hora Mendonça Filho (UNIT), Pedro Meneses Feitosa Neto (UNIT) e Ilzver de Matos Oliveira (UNIT)
9. Autoritarismo no cenário político brasileiro: contradições na participação popular.
Bruna Costa Silva do Nascimento (UECE) e Ingrid Pontes de Macedo (UECE)
Sessão II – Desigualdades e políticas públicas(27.04)
Local: Didática 5, sala 18
1. A territorialização e suas nuances relacionais.
Wellington de Jesus Bonfim (Secretaria de Educação/SE)
2. Análise da construção de identidade quilombola e a luta por direitos sociais.
Daniela Santos Silva (Secretaria de Educação/SE)
3. A questão quilombola em alagoas: reconhecimento e participação política.
Divânia Cássia Costa da Silva (UFAL/UFS)
4. Políticas públicas educacionais para as relações étnico-raciais em feira de Santana-BA: uma análise discursiva dos documentos oficiais.
Lívia Jéssica Messias de Almeida (UFS)
5. Interação movimento social e estado: o caso do movimento negro e da rede ciclo ativista de Porto Alegre.
Sara Talice Santos Bastos (UFRGS) e Danielle Oliveira (UFRGS)
6. As intenções do uso de agrotóxicos no brasil: políticas públicas, debate socio-ambiental e agronegócio.
Mykaelly Morais Vieira (UFC), Daniela Queiroz Zuliani (UNILAB) e Miqueias Miranda Vieira (UNILAB)
7. Impactos do programa minha casa minha vida na periferia de curitiba: um estudo de caso.
Viviane Vidal Pereira dos Santos (UFPR)
8. Políticas públicas e participação social: o cenário do PNAE-Bahia.
Maria Lúcia de Silva Sodré (UFRB) e Marcos Raimundo Pitangueira Pereira (UFRB)

GT8: ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Coordenador: Profa. Dra. Tânia Magno (PPGS/UFS), Igor Macedo (doutorando PPGS/UFS) e Luige Costa (doutorando PPGS/UFS).
Email: taniamagno@uol.com.br

A partir da Lei 11.684/2008 abre-se um cenário interessante de presença curricular nas escolas brasileiras da área de ciências sociais, tendo em vista a obrigatoriedade da oferta da disciplina nos três anos do ensino médio. O cenário da pós-obrigatoriedade da sociologia escolar é marcado, também, pela rediscussão curricular do ensino médio brasileiro, potencializando práticas interdisciplinares e por áreas do conhecimento, a exemplo da sistemática das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Compondo a área das ciências humanas e suas tecnologias, a sociologia busca, para além de sua obrigatoriedade, ser legítima no contexto escolar. Diante disso, algumas questões surgem: a) por que estudar sociologia no ensino médio?; b) quais os conteúdos devem ser trabalhados?; c) quais estratégias metodológicas devem ser utilizadas?; d) como utilizar o livro didático?; e) como potencializar os cursos de formação docente (licenciaturas) dessa área? O GT busca a participação de professores, pesquisadores e estudantes interessados em compreender e qualificar as práticas pedagógicas em ciências sociais na educação básica. A construção do conhecimento nesta área deve levar em consideração os trabalhos produzidos no âmbito acadêmico, em nível de graduação e pós-graduação, como, também, os saberes provenientes do cotidiano escolar.
Sessão I (26.04)
Local: bloco departamental 2, auditório do departamento de Ciências Sociais
1. A cultura popular como conteúdo crítico no ensino da sociologia.
Anderson Felipe dos Anjos Duarte (FUNDAJ) e Lucas Matheus Lima Medeiros (UEPB).
2. A sociologia sob o olhar dos secundaristas.
Vitória Bernardo Pereira (UFPB) e Carlota Augusta de Brito Gomes (UFPB)
3. Aqui não tem nada: sociologia para educar a descobrir.
Geice Queila de Lima Silva (UFAL)
4. O operário do saber: a precarização da atividade docente e os seus desafios.
Arivaldo Telles Montalvão (UFS)
5.Redirecionando as trilhas do aprender e ensinar ciências sociais.
Aracele Barbosa Gomes (UEPB) e Rosângela da Silva Santos (UFCG)
6. Sociologia sem sociólogos e sociólogos sem sociologia: um estudo de caso de uma licenciatura em Sociologia a distância.
Rogério Makino (UFMS)
Sessão II (27.04)
Local: Didática 5, sala 103
1. A Sociologia no Ensino Médio: O que dizem os estudantes.
Carine de Miranda Santos (UFBA)
2. Estudo da prática docente de sociologia no ensino médio da “escola cidadã integral técnica” no município de João Pessoa.
Givanilton de Araújo Barbosa (UFPB)
3. O sentido do ensino de sociologia para os jovens de escolas públicas em Fortaleza/CE.
José Anchieta de Souza Filho (UERN) e Geovânia da Silva Toscano (UERN/UFPB)
4. Temática indígena na escola, lei 11.645/08 e reforma do ensino médio: uma abordagem crítico-reflexiva.
Taise de Jesus Chates (UFBA), Mirela Santiago Santos (UFBA) e Rafael Bomfim Souza (UNEB)
5. O lugar do sociologia escolar nos periódicos de estratos superiores.
Cristiano das Neves Bodart (UFAL) e Caio dos Santos Tavares (UFAL)
6. Práticas educativas na sociologia: desnaturalização e exercício da imaginação sociológica no interior do Ceará.
Miqueias Miranda Vieira (UNILAB), Joana Rower (UNILAB), Carlos Henrique Lopes Pinheiro(UNILAB), Mykaelly Morais Vieira (UFC) e Francisco Walef Santos Feitosa(UNILAB).

GT9: RACIONALIDADE, BUROCRACIA E O MERCADO DE TRABALHO
Coordenador: Prof. Dr. Antony Peter Mueller (PPGS/UFS)
Email: antonymueller@gmail.com

Neste GT, pretende-se debater o impacto das tecnologias avançadas (inteligência artificial) sobre o mercado de trabalho, bem como suas eventuais consequências econômicas e sociais. Trata-se de pesquisa sobre aspectos conceituais da técnica; sobre inovações tecnológicas e como estas afetam o mercado de trabalho, as legislações, a burocracia estatal e privada, as relações interpessoais e sociais, as profissões (extinguindo antigas ou gerando novas). Se propõe o conceito de “modernidade técnica” para evidenciar o que lhe parece essencial, isto é, o caráter técnico, e aborda a emergência dessa modernidade para evocar, por um lado, seu advento processual e histórico, e, por outro, seu alto grau de instabilidade e imprevisibilidade. O foco empírico do GT é estudar as consequências da inteligência artificial e dos sistemas de informação e gestão dos processos de trabalho que emergem a partir de novas técnicas de organização do mercado de trabalho, impactando na emergência de posições de alta qualificação e inovação tecnológica nas áreas da saúde, da educação, da administração pública e do sistema jurídico.
Sessão I (26.04)
Auditório: Didática 6, sala 16
1. A técnica e o mercado de trabalho.
Alexandre de Jesus dos Prazeres (PPGS/UFS)
2. O estado da inovação no Brasil: análise através do modelo “tripla hélice”.
Roberto Oliveira Rocha (UFS)
3. O sistema eletrônico de informações (SEI/IBAMA): possibilidades do uso de inteligência artificial no licenciamento ambiental federal de usinas hidrelétricas.
Ricardo Benedito Otoni (PPGS/UFS)
4. Modernidade e teoria social: considerações sobre o problema da racionalidade técnica.
José dos Anjos Junior (UFS/UFAL)
5. Dependência e mobilidade: impactos da inovação tecnológica no mercado de trabalho do capitalismo avançado.
Marcelo Figueiredo Silva (PPGS/UFS)
6. A importância de um sistema de informação para as organizações: um estudo de caso na pousada estrela da manhã.
Steven Wagner Sanchez (UFS)
7. Crescimento econômico e mercado de trabalho.
Samuel Fernandes Lucena Vaz-Curado
8. Desafios, barreiras e benefícios tecnológicos da indústria 4.0 no Brasil
Mariele Carmo

Minicursos

Minicurso 1: Política pública de regularização para quilombos sob três olhares.
Data: 25/04/2018
Local: Didática 6, sala 102
Horário: 14h – 18h
Proponentes: Ruth Paes Ribeiro, Xifroneze Santos e Robervone S. de Mello P. do Nascimento

Minicurso 2: Introdução a técnica de pesquisa história oral.
Data: 25/04/2018
Local: Didática 6, sala 103
Horário: 14h – 18h
Proponentes: Allisson Goes, Cleber Menezes, Maria Luziara Nascimento e Liliana Araújo

Minicurso 3: A sociologia do trabalho e o conceito de gênero.
Data: 25/04/2018
Local: Didática 6, sala 104
Horário: 14h – 18h
Proponentes: Claudia Kathyuscia Bispo de Jesus e Igor Macedo Reis

Minicurso 4: Desvendando as classificações do mercado: o papel da sociologia econômica.
Data: 25/04/2018
Local: Didática 6, sala 110
Horário: 14h – 18h
Proponentes: Andrews Veikman Nunes Caetano e Antonio Daniel Alves Carvalho

Minicurso 5: Política partidária e movimentos sociais em Sergipe: como coletar, organizar e discorrer.
Data: 25/04/2018
Local: Didática 6, sala 111
Horário: 14h – 18h
Proponentes: Adrielma Silveira Fortuna dos Santos, Jonatha Vasconcelos Santos e Pâmella Synthia Santana Santos.

Minicurso 6: Metodologias qualitativas na Sociologia: experiências sociológicas e aprendizados na interdisciplinaridade.
Data: 25/04/2018
Local: Didática 6, sala 112
Horário: 14h – 18h
Proponentes: Carlos Henrique Lopes Pinheiro, Mikaelly Morais Vieira e Miqueias Miranda Vieira.

Mesa Redonda

MESA I: MERCADOS CONTESTADOS: LEIS, MORAL E ECONOMIA EM DEBATE
Data: 26/04/2018
Local: Auditório da didática V
Horário: 8:30-10:30
Prof. Dr. Rafael Jorge Soares Duarte Marques (Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Lisboa/Portugal)
Profª Drª Dra. Marina de Souza Sartore (PPGS/UFS)
Profª Drª Thais Joi Martins (UFRB – Bahia)
Moderador: Daniel Alves Carvalho (Doutorando PPGS/UFS)

MESA II: FORMAÇÃO PROFISSIONAL E MERCADO DE TRABALHO PARA O SOCIÓLOGO: EXPERIÊNCIAS, DESAFIOS E PROPOSTAS
Data: 26/04/2018
Local: Auditório da didática V
Horário: 10:30-12:30
Sociólogo Nelson Moura Neto
​(INCRA e UFS)
Sociólogo Ricardo Antunes de Abreu (Prefeitura de Guarulhos-SP)
Msc. Ângela Patrícia Deiró Damasceno (Doutoranda PPGS-UFS)
Moderadora: Profª Drª Tania Elias Magno da Silva (PPGS-UFS)

MESA III: PAISAGENS URBANAS, DEMASIADAS HUMANAS: UM DEBATE SOBRE A CIDADE E O LITORAL COMO PATRIMÔNIO CULTURAL
Data: 26/04/2018
Local: Auditório da didática V
Horário: 18:30-20:30
Berenice Journet (Université Lumière-Lyon 2)
Drª. Simone Araújo Pereira (PPGS/CAPES-FAPITEC)
Dr. Allan Rafael Veiga (Labeurc/UFS)
Moderador: Prof. Dr. Rogerio Proença Leite (PPGS)

MESA IV: RACISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS: ALGUMAS QUESTÕES EM ABERTO
Data: 27/04/2018
Local: Auditório da didática V
Horário: 8:30-10:30
Profa. Dra. Ângela Figueredo (UFRB)
Prof. Dr. Ilzver M. Oliveira (UNIT)
Prof. Dr. Paulo S C Neves (UFS)
Moderador: Prof. Dr. Marcelo Ennes (UFS)

MESA V: MOVIMENTOS SOCIAIS, ATIVISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Data: 27/04/2018
Local: Auditório da didática V
​Horário: 10:30-12:30
Profª Drª Monika Dowbor (UNISINOS)
Prof. Dr. Frank Nilton Marcon (PPGS/UFS)
Prof. Dr. Wilson José Ferreira de Oliveira (PPGS/UFS)
Moderadora: Profª Drª Fernanda Rios Petrarca (PPGS/UFS)

FÓRUM DE DEBATES – ABECS

“Desafios e Perspectivas da Sociologia no Ensino Médio em Sergipe: Mapeando nossas ações”
​28 de abril de 2018

O Fórum da ABECS tem como finalidade aglutinar os diversos professores da educação básica, estudantes de Ciências Sociais, professores da UFS e demais interessados, em torno das diversas discussões relativas às pautas norteadoras da atuação do professor de Sociologia na educação básica, seus desafios e perspectivas no Estado de Sergipe. A expectativa é que possamos sair desse fórum com a construção da Unidade Regional da ABECS em Sergipe e a construção de alguns documentos reivindicatórios a serem encaminhados para os diversos órgãos e instituições vinculados ao ensino básico em Sergipe.

I – 08h às 09h30: Apresentação da ABECS (Tânia Magno – UFS)

O sentido de sua existência nos tempos atuais. (Cristiano Bodart – UFAL; Luige de Oliveira – UFS; Ana Laudelina – UFRN)

II – 09h40 às 10h20: Unidades Regionais da ABECS

A Importância da Regionalização e descentralização da ABECS. (Cristiano Bodart – UFAL; Geovânia Toscano –UFPB; Luige de Oliveira – UFS)

III – 10h30 às 12h: Roda de discussão

Roda de discussão e troca de experiências entre os professores que atuam na educação básica em Aracaju: Limites, desafios e possibilidades de atuação dos professores licenciados em Ciências Sociais. Mediadores: Luige de Oliveira – UFS; Alysson Cristian Souza – IFS; Cristiano Bodart – UFAL; Ivan Barbosa – UFS.

IV – 12h às 12h30: Encaminhamento da Unidade Regional da ABECS/SERGIPE

V – 14h às 17h: Construção de Documentos para serem encaminhados:

Coordenação do II Seminário Nacional de Sociologia;
Departamento de Ciências Sociais da UFS;
Pós graduações de Sociologia e Antropologia
Secretaria Municipal e Estadual de Educação;
Conselho Estadual de Educação;
Sintese;
Sindicato dos Professores das Escolas Privadas;
Sindicato das escolas privadas;

 

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Engels e Marx para neófitos


Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), nos deixaram um legado teórico robusto, que consideramos o método de análise da realidade mais preciso que a ciência produziu. Nesse sentido, entendemos que o esse acervo instrumental se encontra distante da compreensão da maioria da população academica. Existe um preconceito sobre os autores, tanto em vias explicativas da conjuntura social, como no cenário acadêmico (BÚRGOS, 2012).

Em uma breve análise da conjuntura, nos apresenta uma situação muito adversa, estamos diante de um quadro que exige uma reorganização do campo combativo contra os interesses do grande capital, e, para isso, coloca-se a necessidade de um balanço histórico da experiência recente, no seio da mais bem-sucedida revolução de caráter socialista (1917), sobretudo da estratégia que hegemonizou a classe trabalhadora, que mesmo por um curto período, e de forma restritiva, nos apresentam avanços significativos da compreensão da dinâmica social na qual estamos imersos. No centenário da Revolução Russa, nós estamos propondo um curso que nos instrumentalize do ponto de vista histórico, a técnica de análise e de ação diante da conjuntura de um Brasil em franca degeneração do estado de direito.

Diante desse cenário, nos debruçaremos sobre o legado de Karl Marx e Friedrich Engels nas formulações que nos possibilitam a entendê-los na sua dimensão, lógica, histórica e social, construindo um fecundo espaço de debates e de elevação das consciências dos participantes dessa atividade, que visa, sobremaneira, a destruição do preconceito, substituindo pela perspectiva filosófica da radicalidade conceitual.

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Programação

Os encontros presenciais acontecerão aos sabados, intercalados, de acordo com a programação do coordenador, para tratar das questões especificas de cada modulo, que se subdividirá em fases

FASE 1  – Elementos basilaes: Metodo Histórico – Lógica Diáletica: novembro – dezembro 2017

Ontologia marxista, Lógica Hegeliana;

FASE 2 – Metodo: Materialismo Histórico Dialetico – Categorias: fevereiro – março 2018

Metodologia marxista: filosofia, ciência e projeto de sociedade

FASE 3 – A Sociologia em Marx: abril – junho 2018 (Celebração de 200 anos de nascimento de Karl Marx)

Socialismo Utopico Francês e Filosofia Idealista Alemã

FASE 4 – Economia Clássica: junho – agosto de 2018

Estrutura economica e desenvolvimento social

FASE 5 – Atualidade no Marxismo: agosto – novembro de 2018

Gênero, LGBT, Etnia e Classe

A juventude, os «millenials», ou história do ovo e da galinha ao serviço do capital


por Alma Rivera

A geração Millennials é o termo usado para categorizar os indivíduos que nasceram entre 1980 e 2000. Todos nós já teremos tido contacto com este termo através da televisão, jornais ou revistas, e mesmo através de outros veículos mais «institucionais».

Esta definição de uma geração insere-se na teoria desenvolvida pelos autores norte-americanos William Strauss e Neil Howe, cujo principal contributo é a divisão da história em ciclos, cada um com a duração de uma vida humana média, subdivididos em quatro eras de cerca de 20 anos, os cohorts geracionais utilizados e que ganham o nome de «turnings» quando uma geração se substitui à outra no «controlo» ou «domínio» da sociedade, conferindo assim o nome à teoria dos Four Turnings. Poderíamos considerar esta proposta uma recuperação do célebre, largamente difundido e cientificamente questionável, «a história é cíclica», com uma roupagem mais pop. No entanto Strauss e Howe vão mais longe e acrescentam que cada geração tem um conjunto de características fundamentais e que essas características se vão repetindo ao longo da história pela mesma ordem: Heróis, Artistas, Profetas, Nómadas (numa tradução literal). Assim, a esta geração de jovens que hoje se situa entre os 17 e 37 anos, filhos da «Geração X», poder-se-ia atribuir, como que profeticamente, um destino. Seriam os «Heróis», uma geração que ultrapassa momentos de crise na sua jovem adultez e que encontra novos caminhos para a sobrevivência da sociedade.

Obviamente tem surgido nas ciências sociais forte contestação a esta teoria, apelidada mesmo de pseudociência. Logo a começar pela completa desconsideração dos factores económicos e sociais, em oposição directa a uma análise de classe, a passar pela atribuição de características psicológicas dominantes e transversais a um grupo completamente heterogéneo com base no seu nascimento, mas também porque os dois autores vão procurando obter confirmação da sua profecia a montante, chegando mesmo a alterar a perspectiva de análise «a meio do jogo». A título de exemplo, se inicialmente o acontecimento histórico marcante e definidor para esta geração era o «11 de Setembro» (2001), passado uns anos passou a ser defendido por ambos que este momento era sim o «crash» (2008), e ao momento em que se publica esta edição de «O Militante» o verdadeiro ponto de viragem é a eleição de Trump (2016).

Naturalmente, as opiniões que aqui trazemos não pretendem desmontar o legado teórico de Strauss e Howe, até porque alguns apontamentos nos bastam. Interessa-nos, pois, analisar como o capital, a partir de uma teoria apelidada por académicos insuspeitos de «uma espécie de horóscopo histórico», vai abrindo novos caminhos para a ideologia dominante, encontrando, como sempre, na juventude um bom ponto de partida e de chegada para a ofensiva ideológica, exactamente pelo poder transformador que a esta camada social heterogénea é reconhecido.

De facto, uma rápida pesquisa revela-nos que um dos principais defensores e difusores desta teoria é Steve Bannon, acessor do actual governo norte-americano, assumidamente ligado à extrema-direita mais racista e retrógrada dos EUA e que, inclusivamente, produziu um documentário («Generation Zero») com base nestes conceitos.

Uma muleta sociológica para a política de direita e para aprofundar a exploração

O conceito de «millennials», que poderia apenas ser substituído por um «esta juventude de hoje em dia», tem servido como base para veicular um conjunto de ideias sobre o presente e o futuro. Se fizermos o exercício de sistematizar o tipo de informação que utiliza este conceito percebemos rapidamente que o que se pretende é justificar os retrocessos civilizacionais a que temos assistido, com o generalizar da precariedade e os baixos salários, com uma suposta «modernidade» em que as pessoas já não têm as mesmas necessidades, os jovens são flexíveis, aventureiros e não fazem questão de adquirir casa própria ou um carro. O mundo do trabalho não está a impedir os jovens de se autonomizarem e construírem a sua própria vida – são eles que não estão para aí virados. É um «novo paradigma» e os millennials estão, alegadamente, na origem e, simultaneamente, satisfeitos com isso.

Mas nem sempre foi esta a linha de ofensiva adoptada. Em 2013. a Revista Times fez capa com o polémico artigo «Millennials: The Me Me Me Generation», algo como «A geração do EU EU EU», em que basicamente se atribui a um excesso de auto-estima e expectativas uma suposta frustração sentida por estes jovens ao embater no mundo real onde não há carreiras, ao mesmo tempo que se enaltece a capacidade de empreender e se adaptar ao sistema em vez de rebelar-se contra ele. Nada de surpreende se recuperarmos a campanha de desresponsabilização do Estado e dos sucessivos governos na destruição de postos de trabalho e falta de investimento nas capacidades de desenvolvimento do país. Ainda temos presentes as palavras de Alexandre Miguel Mestre, em 2011, à época Secretário de Estado da Juventude, que desafiou jovens desempregados a abandonar a sua «zona de conforto e emigrar». Ou se nos lembrarmos do «Muitos estão desempregados porque, ponto número um, não querem trabalhar e, ponto número dois, são maus a fazê-lo» proferida por Miguel Gonçalves, embaixador do Impulso Jovem, a convite de Miguel Relvas, um programa que seria a resposta ao desemprego jovem, mas que na prática consistia em colocar o Estado a pagar os estágios às empresas, entre outras medidas deste género.

Portanto, num primeiro momento a ideologia dominante procurou generalizar a ideia de que estes jovens são preguiçosos, conformistas e estão mal habituados a que tudo lhes seja dado, nomeadamente (veja-se o atrevimento!) que o direito à educação, à saúde, ao trabalho com direitos, conquistados pelas anteriores gerações, também lhes sejam assegurados. Esta propaganda desempenhou em Portugal um papel importante para aplicar os cortes brutais nas funções sociais do Estado e as medidas gravosas da legislação laboral que a troika nacional e estrangeira perpetraram.

Talvez porque a juventude e o povo em geral não tardaram em ripostar, o capital teve necessidade de readaptar o seu discurso. Embora tenham sido escancaradas algumas portas, hoje pode considerar-se que há uma alteração na retórica e procura impor-se a ideia de que estas novas gerações, os millennials, são uma nova espécie de trabalhador. Surgem estudos atrás de estudos, estatísticas e mais estatísticas que pretendem comprovar como «o trabalho para a vida» acabou, que o freelancing, vulgo, os falsos recibos verdes e outras formas de trabalho precário é que são o futuro. Estes jovens seriam uma espécie mais adaptada ao capitalismo, sem as limitações dos seus pais, que exigiam as 8 horas diárias e um salário digno. Esta geração seria menos materialista, porque não tem casa própria e opta por casas mais pequenas. Esta geração deve ser valorizada porque está mais disponível a comprar produtos em 2.ª mão e na «economia da partilha».

As Delloitte’s e a Goldman Sachs’s, que têm publicado estudos sobre estas matérias, assim como os jornais que depois os examinam proclamando coisas do género «os millennials vão revolucionar o capitalismo» (Visão, 23-09-2016) não estão obviamente preocupados com a sustentabilidade dos hábitos de consumo nem com os valores da partilha e vida comunitária.

O que se pretende aqui é de um profundo alcance. Procura-se passar a mensagem de que os jovens, independentemente da sua condição social ou profissão, independentemente de serem de uma grande cidade ou do interior, independentemente da sua forma de olhar o mundo, de estar, de sentir, querem a forma de vida que o sistema capitalista em crise lhes está a impor. A insegurança é uma vantagem porque corresponde à possibilidade de mudança.

Quando, por exemplo, se advoga que 60% destes jovens entre os 24 e os 35 anos prefere arrendar casa a comprar, ou que não tenciona comprar carro nos próximos cinco anos, quase sempre o dado vem acompanhado da consideração de que isso é uma causa e não uma consequência. Ou seja, estes jovens não querem, e não, o mais simples e lógico, não podem.

Não é um erro de análise dos dados estatísticos. A própria formulação de «tenciona» comprar casa ou «tenciona» comprar carro produz resultados. O estudo «Millennials@Work: expectativas sobre as empresas e as lideranças em Portugal», da BCSD Portugal, Delloitte Portugal e Sonae, conclui que 50% dos inquiridos esperam sair da organização onde trabalham nos próximos cinco anos e apenas 29% pensam ficar mais do que cinco anos na actual organização. O que não fica nunca explícito é que em cada cinco contratos celebrados em Portugal quatro são precários e 80% dos contratos celebrados desde 2011 são também eles precários. Nem que 20% dos trabalhadores em Portugal recebem um salário de 557€ e que 11% destes trabalhadores são precisamente aqueles com menos de 25 anos.

Esta narrativa não consegue nem pode esconder que não são os jovens que acham interessante a possibilidade de viver a vida toda em quartos arrendados, mas que são as próprias leis do mercado que gerem o nosso país e este sistema que não são capazes de oferecer soluções reais.

Quando o próprio estudo aponta como conclusão que «para esta geração, as cinco maiores prioridades de vida são o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, o desafogo financeiro, ter filhos e constituir família e ainda poder viajar» entra em clara contradição com a redução de 30 a 40% que um contrato precário representa em rendimentos, ao mesmo tempo que contradiz toda a narrativa de uma geração que não dá tanto valor à família, uma geração de viciados no trabalho, uma geração que foge da estabilidade. Apesar de ser reclamado que esta geração encara o trabalho de outra forma, a única conclusão que podemos retirar é que de facto esta geração anseia dignidade e é o próprio Millennials@Work que aponta a preferência de uns esmagadores 70% por um emprego a tempo inteiro, segurança no trabalho e salário fixo.

As verdadeiras questões que se colocam pela e à juventude

Os jovens saem mais tarde de casa dos seus pais, têm menos autonomia e mais dificuldades em definir planos de vida futuros. O flagelo do desemprego e a incerteza no dia de amanhã condicionam de forma decisiva as suas opções. Estes são os factos. A crise do capitalismo e o retrocesso nos direitos e rendimentos impostos significaram, sim, que os jovens tiveram de se adaptar e encontrar formas de vida que permitam ir subsistindo nesta situação. Mas tal não significa que aceitam e, muito menos, que desejem a sociedade do «cada um por si», ou «um dia de cada vez». Pelo contrário, é esta juventude, sujeita a tão refinada e intrusiva ofensiva ideológica, que reclama contra a precariedade e que, sujeita a ficar sem trabalho quando cerca de 26% dos seus coetâneos estão desempregados, luta nos Centros de Contacto para passar a ter contrato com a empresa que realmente beneficia do seu esforço.

De um lado, temos aqueles a quem convém atribuir deterministicamente um futuro e uma realidade concreta às novas gerações. Uma realidade em que a juventude aceita e perpetua a exploração, a desigualdade e em que admite a miséria como inevitabilidade. Um futuro em que os avanços tecnológicos desempenham um papel de maximização do lucro e dominação ideológica através da disseminação de informação de elevado alcance formatador.

De outro, está a juventude real. Composta por estudantes e trabalhadores, portadora de uma história de combatividade e solidariedade e simultaneamente envolvidos nas mais diferentes frentes de combate: nos locais de trabalho nos seus sindicatos, nas associações culturais e desportivas, nas associações de estudantes, bandas e grupos do mais variado tipo.

Ficam os verdadeiros paradoxos: como uma sociedade cada vez mais tecnologicamente avançada não é capaz de oferecer condições dignas de trabalho à geração com mais acesso à informação, mais apta e com mais instrumentos. Como é que um sistema que se reclama o futuro da humanidade não é capaz (ou não tem interesse) de aproveitar o potencial produtivo inédito desta camada.

Fica também a forte suspeita de que o capital confunde desejo com realidade ao difundir a ideia de que estas novas gerações aceitam a exploração e este sistema cruel. E de que, chamem-nos Heróis, Geração Y, ou o que quiserem, unidos na nossa diversidade teremos de encontrar o caminho para responder à altura construindo uma sociedade mais justa em que tenhamos todos felicidade. A saúde, a educação, a mobilidade, o acesso à habitação, cultura, e direito à vida pessoal. Seremos capazes.

Bibliografiaz

Jornal Económico, Revista Visão, QZ Magazine, Jornal Expresso, Jornal I Online, Jornal Sol, Revista Times.

«Millennials@Work» (www.deloitte.com)

«Millennials: coming of age» (www.goldmansachs.com)

Documentário «Generation Zero» (www.youtube.com)

CGTP-IN.

Retrato dos Jovens em Portugal (http://www.pordata.pt/ebooks)

Reforma da previdência ameaça o magistério


Nota Técnica 185 do Dieese (“Reforma da Previdência e a ameaça ao magistério”) analisa as normas propostas pela PEC 287-A (chamada de Reforma da Previdência) para a aposentadoria dos profissionais do magistério.

O texto original da PEC pretendia extinguir a aposentadoria diferenciada dos professores por tempo de contribuição e igualá-la à dos demais profissionais; já o substitutivo propõe como requisito para a aposentadoria idade mínima equivalente a 60 anos para professores homens e professoras mulheres, combinada a, pelo menos, 25 anos de contribuição: se, por um lado, o substitutivo preservou a aposentadoria diferenciada para o magistério, estabelecendo limites mínimos de idade e tempo de contribuição inferiores aos estipulados para os demais trabalhadores; por outro, igualou ambos os requisitos para professores e professoras, diferentemente do definido para os outros profissionais, para os quais a idade mínima fixada para a aposentadoria das mulheres é três anos inferior à dos homens.

As mudanças propostas pela PEC para o RPPS e RGPS estão sintetizadas nos quadros abaixo, retirados da publicação:

quadroDieese1

quadroDieese2

A PEC 287-A se apresenta como um elemento de redução considerável dos direitos relativos à aposentadoria do conjunto da classe trabalhadora. As professoras, em particular, serão ainda mais prejudicadas pela reforma da previdência dado o aumento de 10 anos na idade mínima para acesso ao benefício em relação às regras atuais.

As dificuldades enfrentadas pelos professores no exercício da profissão, além de impactar diretamente sua saúde física e emocional, atinge também a qualidade das aulas e a interação com os alunos.

Crédito da foto da página inicial: EBC

Reforma trabalhista no Brasil e no mundo: não estamos sós!


Entregamos o Brasil à ‘modernidade’ da economia globalizada pelo sistema financeiro e investidores, ávidos por lucros, desejosos de um mercado flexível, para ajustar o custo da mão de obra e alocar, no tempo e na unidade produtiva, o volume de trabalho necessário à produção

Com este artigo, inicio uma série de textos elaborados a partir de debates e palestras que realizei sobre a reforma trabalhista, buscando formas de sistematizar e contextualizar os problemas e enfrentar o desafio de pensar caminhos a serem trilhados pelo movimento sindical em cenário extremamente complicado.

Não é novidade que as dificuldades a serem enfrentadas são enormes. Contudo, a história nos autoriza a pensar que tudo muda o tempo todo; que no jogo social se disputa no presente as possibilidades de futuro; que alternativas se colocam e que tudo está sempre em aberto; que não há resultado definitivo, pois toda derrota pode ser revertida; um ônus pode se transformar em oportunidade; uma dificuldade pode mobilizar a criação de nova força de reação; há possibilidades de se caminhar para o inédito e o inesperado.

A história ensina que, para os que lutam a partir da perspectiva dos trabalhadores, somente há a luta, contínua e difícil, que há dois séculos possibilita avanços sociais e patamares superiores de civilização. Por isso, em frente e na luta!

Mas a luta requer Inteligência, objetivos claros, estratégia e muita unidade daqueles que cerram a mesma trincheira. É imperioso compreender o que ocorre e, a partir da situação presente e do movimento geral da história, traçar estratégias.

Esta série de artigos começa com a apresentação do contexto em que é promovida a maior reforma trabalhista e sindical já feita no Brasil, que terá impactos profundos sobre o sistema de relações de trabalho, a organização sindical e a proteção do trabalho.

Nosso “consolo” é que não estamos sós! Estudo publicado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) – Drivers and effects of labour market reforms: Evidence from a novel policy compendium -, produzido pelos pesquisadores Dragos Adascalieti e Clemente Pignatti Morano, indica que reformas legislativas laborais e de mercado de trabalho foram realizadas em 110 países entre 2008 a 2014.

O fundamento comum observado nas diversas iniciativas de reformas, no contexto da grave crise e estagnação econômica com desemprego, foi o de aumentar a competitividade das economias (leia-se reduzir o custo do trabalho) e criar postos de trabalho (leia-se flexibilizar contratos de trabalho para gerar ocupações precárias).

Observam-se ações para reformar a legislação do mercado de trabalho, especialmente no que se refere aos contratos permanentes, e reestruturar as instituições da negociação coletiva (processos de negociação, legislação, sindicatos). As duas dimensões estão presentes, com maior ou menor intensidade, na maioria dos projetos de reforma implementados.

Um olhar geral mostra que a maioria das reformas diminuiu o nível de regulamentação existente. Foram observadas e analisadas 642 mudanças nos sistemas laborais nos 110 países. Em 55% dos casos, as reformas visaram a reduzir a proteção ao emprego, atingindo toda a população, tinham caráter definitivo, produzindo uma mudança de longo prazo na regulamentação do mercado de trabalho.

O desemprego crescente e duradouro criou o ambiente para catalisar as iniciativas de reformas e disputar a opinião da sociedade sobre elas. De outro lado, os resultados encontrados no estudo não indicam que as reformas do mercado de trabalho tenham gerado efeitos ou promovido mudanças na situação do desemprego.

Vale prestar muita atenção ao fato de o estudo indicar que mudanças como essas na legislação trabalhista, realizadas em período de crise e que visam a reduzir a proteção, podem aumentar a taxa de desemprego no curto prazo. Também não se observou nenhum efeito estatístico relevante quando essas mudanças foram implementadas em períodos de estabilidade ou expansão da atividade econômica. Mais grave ainda, as reformas “liberalizadoras”, que facilitam o processo de demissão, tenderam a gerar aumento do desemprego no curto prazo. Esses resultados são corroborados por outros estudos produzidos pelo FMI e pela OCDE, em 2016.

Do total de reformas, destacam-se aquelas que diminuem os níveis de regulação, das quais: 74% trataram de jornada de trabalho, 65% de contratos de trabalho temporário, 62% de demissões coletivas, 59% de contratos permanentes, 46% de negociações coletivas e 28% de outras formas de emprego.

O Brasil se integra a este movimento de desregulação do mercado de trabalho, flexibilizando as formas de contratação com um menu muito variado de possibilidades de ocupações precárias que se tornam legais; permitindo a redução estrutural dos direitos laborais, em especial dos salários; limitando e inibindo o acesso à justiça do trabalho; criando regras para que as empresas que cometem ilegalidades trabalhistas fiquem livres de passivos; quebrando os sindicatos e desprotegendo os trabalhadores.

Integramos (e entregamos) o Brasil à “modernidade” da economia globalizada pelo sistema financeiro e investidores, ávidos por lucros crescentes, desejosos de um mercado de trabalho flexível, para ajustar o custo da mão de obra e alocar o volume de trabalho necessário à produção em determinada unidade de produção e no tempo.

Esta lógica tem um sentido: produzir mais renda e riqueza e concentrá-las. Esta lógica também entrega outros resultados: o acentuado crescimento da desigualdade, a expansão da pobreza e da miséria, a precarização dos empregos, o arrocho dos salários e da renda das famílias, o aumento da jornada de trabalho, o surgimento de doenças laborais associadas ao estresse e à ansiedade.

A massa salarial diminui e a insegurança aumenta. O consumo cai e os mercados internos entram em depressão. A economia anda de lado e eles se perguntam o que fazer. Mas quem são eles?