A juventude, os «millenials», ou história do ovo e da galinha ao serviço do capital


por Alma Rivera

A geração Millennials é o termo usado para categorizar os indivíduos que nasceram entre 1980 e 2000. Todos nós já teremos tido contacto com este termo através da televisão, jornais ou revistas, e mesmo através de outros veículos mais «institucionais».

Esta definição de uma geração insere-se na teoria desenvolvida pelos autores norte-americanos William Strauss e Neil Howe, cujo principal contributo é a divisão da história em ciclos, cada um com a duração de uma vida humana média, subdivididos em quatro eras de cerca de 20 anos, os cohorts geracionais utilizados e que ganham o nome de «turnings» quando uma geração se substitui à outra no «controlo» ou «domínio» da sociedade, conferindo assim o nome à teoria dos Four Turnings. Poderíamos considerar esta proposta uma recuperação do célebre, largamente difundido e cientificamente questionável, «a história é cíclica», com uma roupagem mais pop. No entanto Strauss e Howe vão mais longe e acrescentam que cada geração tem um conjunto de características fundamentais e que essas características se vão repetindo ao longo da história pela mesma ordem: Heróis, Artistas, Profetas, Nómadas (numa tradução literal). Assim, a esta geração de jovens que hoje se situa entre os 17 e 37 anos, filhos da «Geração X», poder-se-ia atribuir, como que profeticamente, um destino. Seriam os «Heróis», uma geração que ultrapassa momentos de crise na sua jovem adultez e que encontra novos caminhos para a sobrevivência da sociedade.

Obviamente tem surgido nas ciências sociais forte contestação a esta teoria, apelidada mesmo de pseudociência. Logo a começar pela completa desconsideração dos factores económicos e sociais, em oposição directa a uma análise de classe, a passar pela atribuição de características psicológicas dominantes e transversais a um grupo completamente heterogéneo com base no seu nascimento, mas também porque os dois autores vão procurando obter confirmação da sua profecia a montante, chegando mesmo a alterar a perspectiva de análise «a meio do jogo». A título de exemplo, se inicialmente o acontecimento histórico marcante e definidor para esta geração era o «11 de Setembro» (2001), passado uns anos passou a ser defendido por ambos que este momento era sim o «crash» (2008), e ao momento em que se publica esta edição de «O Militante» o verdadeiro ponto de viragem é a eleição de Trump (2016).

Naturalmente, as opiniões que aqui trazemos não pretendem desmontar o legado teórico de Strauss e Howe, até porque alguns apontamentos nos bastam. Interessa-nos, pois, analisar como o capital, a partir de uma teoria apelidada por académicos insuspeitos de «uma espécie de horóscopo histórico», vai abrindo novos caminhos para a ideologia dominante, encontrando, como sempre, na juventude um bom ponto de partida e de chegada para a ofensiva ideológica, exactamente pelo poder transformador que a esta camada social heterogénea é reconhecido.

De facto, uma rápida pesquisa revela-nos que um dos principais defensores e difusores desta teoria é Steve Bannon, acessor do actual governo norte-americano, assumidamente ligado à extrema-direita mais racista e retrógrada dos EUA e que, inclusivamente, produziu um documentário («Generation Zero») com base nestes conceitos.

Uma muleta sociológica para a política de direita e para aprofundar a exploração

O conceito de «millennials», que poderia apenas ser substituído por um «esta juventude de hoje em dia», tem servido como base para veicular um conjunto de ideias sobre o presente e o futuro. Se fizermos o exercício de sistematizar o tipo de informação que utiliza este conceito percebemos rapidamente que o que se pretende é justificar os retrocessos civilizacionais a que temos assistido, com o generalizar da precariedade e os baixos salários, com uma suposta «modernidade» em que as pessoas já não têm as mesmas necessidades, os jovens são flexíveis, aventureiros e não fazem questão de adquirir casa própria ou um carro. O mundo do trabalho não está a impedir os jovens de se autonomizarem e construírem a sua própria vida – são eles que não estão para aí virados. É um «novo paradigma» e os millennials estão, alegadamente, na origem e, simultaneamente, satisfeitos com isso.

Mas nem sempre foi esta a linha de ofensiva adoptada. Em 2013. a Revista Times fez capa com o polémico artigo «Millennials: The Me Me Me Generation», algo como «A geração do EU EU EU», em que basicamente se atribui a um excesso de auto-estima e expectativas uma suposta frustração sentida por estes jovens ao embater no mundo real onde não há carreiras, ao mesmo tempo que se enaltece a capacidade de empreender e se adaptar ao sistema em vez de rebelar-se contra ele. Nada de surpreende se recuperarmos a campanha de desresponsabilização do Estado e dos sucessivos governos na destruição de postos de trabalho e falta de investimento nas capacidades de desenvolvimento do país. Ainda temos presentes as palavras de Alexandre Miguel Mestre, em 2011, à época Secretário de Estado da Juventude, que desafiou jovens desempregados a abandonar a sua «zona de conforto e emigrar». Ou se nos lembrarmos do «Muitos estão desempregados porque, ponto número um, não querem trabalhar e, ponto número dois, são maus a fazê-lo» proferida por Miguel Gonçalves, embaixador do Impulso Jovem, a convite de Miguel Relvas, um programa que seria a resposta ao desemprego jovem, mas que na prática consistia em colocar o Estado a pagar os estágios às empresas, entre outras medidas deste género.

Portanto, num primeiro momento a ideologia dominante procurou generalizar a ideia de que estes jovens são preguiçosos, conformistas e estão mal habituados a que tudo lhes seja dado, nomeadamente (veja-se o atrevimento!) que o direito à educação, à saúde, ao trabalho com direitos, conquistados pelas anteriores gerações, também lhes sejam assegurados. Esta propaganda desempenhou em Portugal um papel importante para aplicar os cortes brutais nas funções sociais do Estado e as medidas gravosas da legislação laboral que a troika nacional e estrangeira perpetraram.

Talvez porque a juventude e o povo em geral não tardaram em ripostar, o capital teve necessidade de readaptar o seu discurso. Embora tenham sido escancaradas algumas portas, hoje pode considerar-se que há uma alteração na retórica e procura impor-se a ideia de que estas novas gerações, os millennials, são uma nova espécie de trabalhador. Surgem estudos atrás de estudos, estatísticas e mais estatísticas que pretendem comprovar como «o trabalho para a vida» acabou, que o freelancing, vulgo, os falsos recibos verdes e outras formas de trabalho precário é que são o futuro. Estes jovens seriam uma espécie mais adaptada ao capitalismo, sem as limitações dos seus pais, que exigiam as 8 horas diárias e um salário digno. Esta geração seria menos materialista, porque não tem casa própria e opta por casas mais pequenas. Esta geração deve ser valorizada porque está mais disponível a comprar produtos em 2.ª mão e na «economia da partilha».

As Delloitte’s e a Goldman Sachs’s, que têm publicado estudos sobre estas matérias, assim como os jornais que depois os examinam proclamando coisas do género «os millennials vão revolucionar o capitalismo» (Visão, 23-09-2016) não estão obviamente preocupados com a sustentabilidade dos hábitos de consumo nem com os valores da partilha e vida comunitária.

O que se pretende aqui é de um profundo alcance. Procura-se passar a mensagem de que os jovens, independentemente da sua condição social ou profissão, independentemente de serem de uma grande cidade ou do interior, independentemente da sua forma de olhar o mundo, de estar, de sentir, querem a forma de vida que o sistema capitalista em crise lhes está a impor. A insegurança é uma vantagem porque corresponde à possibilidade de mudança.

Quando, por exemplo, se advoga que 60% destes jovens entre os 24 e os 35 anos prefere arrendar casa a comprar, ou que não tenciona comprar carro nos próximos cinco anos, quase sempre o dado vem acompanhado da consideração de que isso é uma causa e não uma consequência. Ou seja, estes jovens não querem, e não, o mais simples e lógico, não podem.

Não é um erro de análise dos dados estatísticos. A própria formulação de «tenciona» comprar casa ou «tenciona» comprar carro produz resultados. O estudo «Millennials@Work: expectativas sobre as empresas e as lideranças em Portugal», da BCSD Portugal, Delloitte Portugal e Sonae, conclui que 50% dos inquiridos esperam sair da organização onde trabalham nos próximos cinco anos e apenas 29% pensam ficar mais do que cinco anos na actual organização. O que não fica nunca explícito é que em cada cinco contratos celebrados em Portugal quatro são precários e 80% dos contratos celebrados desde 2011 são também eles precários. Nem que 20% dos trabalhadores em Portugal recebem um salário de 557€ e que 11% destes trabalhadores são precisamente aqueles com menos de 25 anos.

Esta narrativa não consegue nem pode esconder que não são os jovens que acham interessante a possibilidade de viver a vida toda em quartos arrendados, mas que são as próprias leis do mercado que gerem o nosso país e este sistema que não são capazes de oferecer soluções reais.

Quando o próprio estudo aponta como conclusão que «para esta geração, as cinco maiores prioridades de vida são o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, o desafogo financeiro, ter filhos e constituir família e ainda poder viajar» entra em clara contradição com a redução de 30 a 40% que um contrato precário representa em rendimentos, ao mesmo tempo que contradiz toda a narrativa de uma geração que não dá tanto valor à família, uma geração de viciados no trabalho, uma geração que foge da estabilidade. Apesar de ser reclamado que esta geração encara o trabalho de outra forma, a única conclusão que podemos retirar é que de facto esta geração anseia dignidade e é o próprio Millennials@Work que aponta a preferência de uns esmagadores 70% por um emprego a tempo inteiro, segurança no trabalho e salário fixo.

As verdadeiras questões que se colocam pela e à juventude

Os jovens saem mais tarde de casa dos seus pais, têm menos autonomia e mais dificuldades em definir planos de vida futuros. O flagelo do desemprego e a incerteza no dia de amanhã condicionam de forma decisiva as suas opções. Estes são os factos. A crise do capitalismo e o retrocesso nos direitos e rendimentos impostos significaram, sim, que os jovens tiveram de se adaptar e encontrar formas de vida que permitam ir subsistindo nesta situação. Mas tal não significa que aceitam e, muito menos, que desejem a sociedade do «cada um por si», ou «um dia de cada vez». Pelo contrário, é esta juventude, sujeita a tão refinada e intrusiva ofensiva ideológica, que reclama contra a precariedade e que, sujeita a ficar sem trabalho quando cerca de 26% dos seus coetâneos estão desempregados, luta nos Centros de Contacto para passar a ter contrato com a empresa que realmente beneficia do seu esforço.

De um lado, temos aqueles a quem convém atribuir deterministicamente um futuro e uma realidade concreta às novas gerações. Uma realidade em que a juventude aceita e perpetua a exploração, a desigualdade e em que admite a miséria como inevitabilidade. Um futuro em que os avanços tecnológicos desempenham um papel de maximização do lucro e dominação ideológica através da disseminação de informação de elevado alcance formatador.

De outro, está a juventude real. Composta por estudantes e trabalhadores, portadora de uma história de combatividade e solidariedade e simultaneamente envolvidos nas mais diferentes frentes de combate: nos locais de trabalho nos seus sindicatos, nas associações culturais e desportivas, nas associações de estudantes, bandas e grupos do mais variado tipo.

Ficam os verdadeiros paradoxos: como uma sociedade cada vez mais tecnologicamente avançada não é capaz de oferecer condições dignas de trabalho à geração com mais acesso à informação, mais apta e com mais instrumentos. Como é que um sistema que se reclama o futuro da humanidade não é capaz (ou não tem interesse) de aproveitar o potencial produtivo inédito desta camada.

Fica também a forte suspeita de que o capital confunde desejo com realidade ao difundir a ideia de que estas novas gerações aceitam a exploração e este sistema cruel. E de que, chamem-nos Heróis, Geração Y, ou o que quiserem, unidos na nossa diversidade teremos de encontrar o caminho para responder à altura construindo uma sociedade mais justa em que tenhamos todos felicidade. A saúde, a educação, a mobilidade, o acesso à habitação, cultura, e direito à vida pessoal. Seremos capazes.

Bibliografiaz

Jornal Económico, Revista Visão, QZ Magazine, Jornal Expresso, Jornal I Online, Jornal Sol, Revista Times.

«Millennials@Work» (www.deloitte.com)

«Millennials: coming of age» (www.goldmansachs.com)

Documentário «Generation Zero» (www.youtube.com)

CGTP-IN.

Retrato dos Jovens em Portugal (http://www.pordata.pt/ebooks)

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Reforma da previdência ameaça o magistério


Nota Técnica 185 do Dieese (“Reforma da Previdência e a ameaça ao magistério”) analisa as normas propostas pela PEC 287-A (chamada de Reforma da Previdência) para a aposentadoria dos profissionais do magistério.

O texto original da PEC pretendia extinguir a aposentadoria diferenciada dos professores por tempo de contribuição e igualá-la à dos demais profissionais; já o substitutivo propõe como requisito para a aposentadoria idade mínima equivalente a 60 anos para professores homens e professoras mulheres, combinada a, pelo menos, 25 anos de contribuição: se, por um lado, o substitutivo preservou a aposentadoria diferenciada para o magistério, estabelecendo limites mínimos de idade e tempo de contribuição inferiores aos estipulados para os demais trabalhadores; por outro, igualou ambos os requisitos para professores e professoras, diferentemente do definido para os outros profissionais, para os quais a idade mínima fixada para a aposentadoria das mulheres é três anos inferior à dos homens.

As mudanças propostas pela PEC para o RPPS e RGPS estão sintetizadas nos quadros abaixo, retirados da publicação:

quadroDieese1

quadroDieese2

A PEC 287-A se apresenta como um elemento de redução considerável dos direitos relativos à aposentadoria do conjunto da classe trabalhadora. As professoras, em particular, serão ainda mais prejudicadas pela reforma da previdência dado o aumento de 10 anos na idade mínima para acesso ao benefício em relação às regras atuais.

As dificuldades enfrentadas pelos professores no exercício da profissão, além de impactar diretamente sua saúde física e emocional, atinge também a qualidade das aulas e a interação com os alunos.

Crédito da foto da página inicial: EBC

Reforma trabalhista no Brasil e no mundo: não estamos sós!


Entregamos o Brasil à ‘modernidade’ da economia globalizada pelo sistema financeiro e investidores, ávidos por lucros, desejosos de um mercado flexível, para ajustar o custo da mão de obra e alocar, no tempo e na unidade produtiva, o volume de trabalho necessário à produção

Com este artigo, inicio uma série de textos elaborados a partir de debates e palestras que realizei sobre a reforma trabalhista, buscando formas de sistematizar e contextualizar os problemas e enfrentar o desafio de pensar caminhos a serem trilhados pelo movimento sindical em cenário extremamente complicado.

Não é novidade que as dificuldades a serem enfrentadas são enormes. Contudo, a história nos autoriza a pensar que tudo muda o tempo todo; que no jogo social se disputa no presente as possibilidades de futuro; que alternativas se colocam e que tudo está sempre em aberto; que não há resultado definitivo, pois toda derrota pode ser revertida; um ônus pode se transformar em oportunidade; uma dificuldade pode mobilizar a criação de nova força de reação; há possibilidades de se caminhar para o inédito e o inesperado.

A história ensina que, para os que lutam a partir da perspectiva dos trabalhadores, somente há a luta, contínua e difícil, que há dois séculos possibilita avanços sociais e patamares superiores de civilização. Por isso, em frente e na luta!

Mas a luta requer Inteligência, objetivos claros, estratégia e muita unidade daqueles que cerram a mesma trincheira. É imperioso compreender o que ocorre e, a partir da situação presente e do movimento geral da história, traçar estratégias.

Esta série de artigos começa com a apresentação do contexto em que é promovida a maior reforma trabalhista e sindical já feita no Brasil, que terá impactos profundos sobre o sistema de relações de trabalho, a organização sindical e a proteção do trabalho.

Nosso “consolo” é que não estamos sós! Estudo publicado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) – Drivers and effects of labour market reforms: Evidence from a novel policy compendium -, produzido pelos pesquisadores Dragos Adascalieti e Clemente Pignatti Morano, indica que reformas legislativas laborais e de mercado de trabalho foram realizadas em 110 países entre 2008 a 2014.

O fundamento comum observado nas diversas iniciativas de reformas, no contexto da grave crise e estagnação econômica com desemprego, foi o de aumentar a competitividade das economias (leia-se reduzir o custo do trabalho) e criar postos de trabalho (leia-se flexibilizar contratos de trabalho para gerar ocupações precárias).

Observam-se ações para reformar a legislação do mercado de trabalho, especialmente no que se refere aos contratos permanentes, e reestruturar as instituições da negociação coletiva (processos de negociação, legislação, sindicatos). As duas dimensões estão presentes, com maior ou menor intensidade, na maioria dos projetos de reforma implementados.

Um olhar geral mostra que a maioria das reformas diminuiu o nível de regulamentação existente. Foram observadas e analisadas 642 mudanças nos sistemas laborais nos 110 países. Em 55% dos casos, as reformas visaram a reduzir a proteção ao emprego, atingindo toda a população, tinham caráter definitivo, produzindo uma mudança de longo prazo na regulamentação do mercado de trabalho.

O desemprego crescente e duradouro criou o ambiente para catalisar as iniciativas de reformas e disputar a opinião da sociedade sobre elas. De outro lado, os resultados encontrados no estudo não indicam que as reformas do mercado de trabalho tenham gerado efeitos ou promovido mudanças na situação do desemprego.

Vale prestar muita atenção ao fato de o estudo indicar que mudanças como essas na legislação trabalhista, realizadas em período de crise e que visam a reduzir a proteção, podem aumentar a taxa de desemprego no curto prazo. Também não se observou nenhum efeito estatístico relevante quando essas mudanças foram implementadas em períodos de estabilidade ou expansão da atividade econômica. Mais grave ainda, as reformas “liberalizadoras”, que facilitam o processo de demissão, tenderam a gerar aumento do desemprego no curto prazo. Esses resultados são corroborados por outros estudos produzidos pelo FMI e pela OCDE, em 2016.

Do total de reformas, destacam-se aquelas que diminuem os níveis de regulação, das quais: 74% trataram de jornada de trabalho, 65% de contratos de trabalho temporário, 62% de demissões coletivas, 59% de contratos permanentes, 46% de negociações coletivas e 28% de outras formas de emprego.

O Brasil se integra a este movimento de desregulação do mercado de trabalho, flexibilizando as formas de contratação com um menu muito variado de possibilidades de ocupações precárias que se tornam legais; permitindo a redução estrutural dos direitos laborais, em especial dos salários; limitando e inibindo o acesso à justiça do trabalho; criando regras para que as empresas que cometem ilegalidades trabalhistas fiquem livres de passivos; quebrando os sindicatos e desprotegendo os trabalhadores.

Integramos (e entregamos) o Brasil à “modernidade” da economia globalizada pelo sistema financeiro e investidores, ávidos por lucros crescentes, desejosos de um mercado de trabalho flexível, para ajustar o custo da mão de obra e alocar o volume de trabalho necessário à produção em determinada unidade de produção e no tempo.

Esta lógica tem um sentido: produzir mais renda e riqueza e concentrá-las. Esta lógica também entrega outros resultados: o acentuado crescimento da desigualdade, a expansão da pobreza e da miséria, a precarização dos empregos, o arrocho dos salários e da renda das famílias, o aumento da jornada de trabalho, o surgimento de doenças laborais associadas ao estresse e à ansiedade.

A massa salarial diminui e a insegurança aumenta. O consumo cai e os mercados internos entram em depressão. A economia anda de lado e eles se perguntam o que fazer. Mas quem são eles?

IV Ciclo de Debates do LEPP/UFS: “O Brasil Não é Para Principiantes”


Resumo

Como o título deste ciclo sugere, tomamos como ponto de partida a célebre frase de Tom Jobim: “o Brasil não é para principiantes”. Esta frase tem sido mobilizada em um conjunto de publicações recentes que visam retomar as preocupações sobre os dilemas e os enigmas que marcam a formação social brasileira e as interpretações sobre o Brasil. A preocupação central deste ciclo não é a destacar a especificidade de nossa sociedade e sua suposta “singularidade”, mas sim a de examinar as limitações e os perigos que a importação de teorias e a universalização de conceitos trazem para as interpretações e compreensões do Brasil, uma vez que cria falsos dilemas e problemas de análise. Diante disso, esta quarta edição do ciclo de debates do LEPP tem dois objetivos centrais. O primeiro pretende apresentar um levantamento crítico dos estudos sobre grupos dirigentes no Brasil que considere, ao mesmo tempo, tanto a renovação trazida por tais abordagens, destacando as problemáticas novas que eles levantaram, quanto as ausências, os esquecimentos e as dificuldades vinculadas a tais formas de construção de tais grupos como objeto de análise. O segundo visa resgatar a sociologia política brasileira, considerando para isso as contribuições levantadas referentes às condições e às dinâmicas de formação e composição dos grupos dirigentes, do Estado e da política no Brasil.

Os “Ciclos de Debates do Laboratório de Estudos do Poder e da Política” visam promover um espaço de discussão de temáticas concernentes aos estudos dos grupos de pesquisa realizados no laboratório. Tal laboratório está estruturado em torno de um conjunto de preocupações analíticas comuns, dentre as quais se destaca a reflexão sobre os princípios de estruturação e as dinâmicas de funcionamento do poder e suas relações com gramáticas e práticas políticas diversificadas. Trata-se, com isso, de dar conta das condições e dos processos de recrutamento e de seleção e das estratégias de reprodução e consagração social acionadas por atores e grupos diversificados (políticos, profissionais, militantes, culturais, religiosos, etc.), como também de apreender as gramáticas políticas e as lógicas práticas de suas intervenções em diferentes espaços sociais. As ações desenvolvidas pelo laboratório estão voltadas para a realização de pesquisas sobre os movimentos sociais, os partidos políticos, os grupos profissionais, a formação de elites (políticas, culturais, profissionais e religiosas) e as políticas públicas.  Nesse evento contaremos com professores, profissionais e pesquisadores convidados e trataremos de temas vinculados aos projetos de iniciação científica coordenados por professores do LEPP, assim como, monografias, dissertações e teses de doutorado produzidas a partir de orientações do laboratório.

Programação

MESA I – A ELITE BRASILEIRA NÃO É PARA PRINCIPIANTES

Moderador:

Prof. Dr. Wilson José Ferreira de Oliveira (LEPP/DCS/PPGS/UFS)

Expositores:

Profa. Dra. Fernanda Rios Petrarca (LEPP/DCS/PPGS/UFS)

Prof. Dr. Wilson José Ferreira de Oliveira (LEPP/DCS/PPGS/UFS)

Data: 21/07/2017

Horário: 14h
Local: Auditório do Dep. de Geografia (Bloco Departamental II)

MESA II – FAMÍLIA, PARENTELA E POLÍTICA: Maria Isaura e Antônio Cândido

Moderadora:

Profª Fernanda Rios Petrarca (LEPP/DCS/PPGS/UFS)

Expositores:

Victor Marcell Gomes Barbosa (Graduando LEPP/DCS/UFS)
Pâmella Synthia Santana Santos (Doutoranda LEPP/PPGS/UFS)
Data: 04/08/2017

Horário: 14h

Local: Auditório do Dep. de Geografia (Bloco Departamental II)

MESA III – ELITES POLÍTICAS, ESTADO E PARTICIPAÇÃO: José Murilo de Carvalho

Moderador:

Prof. DR. Wilson José Ferreira de Oliveira (LEPP/DCS/PPGS/UFS)

Expositores:

Igor da Silva Salmeron (Doutorando LEPP/PPGS/UFS)

Jonatha Vasconcelos Santos (Doutorando LEPP/PPGS/UFS)

Mauricio Izelli Dore (Doutorando LEPP/PPGS/UFS)

Data: 18/08/2017

Horário: 14h

Local: Auditório do Dep. de Geografia (Bloco Departamental II)

MESA IV – INTÉRPRETES DO BRASIL: Silvio Romero e Manoel Bomfim

Moderadora:

Profs. Dra. Fernanda Rios Petrarca  (LEPP/DCS/PPGS/UFS)

Expositores:

Ivan Fontes Barbosa (Mestre/PPGS/UFS)

Prof. Dr. Ivan Paulo Silveira Santos (DCS/PPGS/UFS)

Data: 01/09/2017

Horário: 14h

Local: Auditório do Dep. de Geografia (Bloco Departamental II)

 

Secretaria de Educação – BA prorroga inscrições dos Processos Seletivos com mais de 1.500 vagas


Estão prorrogadas as inscrições para os três Processos Seletivos da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC – BA) com 1.542 vagas em nível médio e superior que visam contratação por tempo determinado, em Regime Especial de Direito Administrativo (REDA).

Os interessados em participar devem se inscrever até o dia 13 de março de 2017, por meio do site www.ibrae.com.br. A taxa de participação pode variar de R$ 35,00 a R$ 75,00 e deve ser paga por meio de boleto bancário.

Estes Processos Seletivos contam com oportunidades nos cargos de:

Preceptor de Estágio Enfermagem (157);
Tradutor/Intérprete de Libras (345);
Braillista (28);
Técnico de Atendimento Educacional Especializado (219);
Cuidador Educacional (30);
Instrutor de Libras (33);
Professor Substituto nas disciplinas de: História, Geografia, Filosofia e Sociologia (54); Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (Inglês e Espanhol), Artes e Educação Física (64); Química, Física e Biologia (54) e Matemática (39).

Há também vagas para Professor da Educação Profissional.

Os contratados devem cumprir carga horária de 20h a 30h semanais com salários que variam de R$ 989,92 a R$ 1.407,14 de acordo com o cargo e a escolaridade.

Todos os candidatos passarão por prova objetiva, os inscritos para o cargo de Professor da Educação Profissional passarão por prova de títulos, já para os cargos de Braillista, Intérprete/Tradutor de Libras, Instrutor de Libras e Técnico de Atendimento Educacional Especializado serão avaliados também em atividade prática.

Estes Processos Seletivos são válidos por um ano, e abrangem ao todo 415 municípios. As provas serão aplicadas em Alagoinhas, Amargosa, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Caetité, Eunápolis, Feira de Santana, Ipirá, Irecê, Itaberaba, Itabuna, Itapetinga, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Macaúbas, Paulo Afonso, Ribeira do Pombal, Santa Maria da Vitória, Santo Antônio de Jesus, Seabra, Senhor do Bonfim, Serrinha, Teixeira de Freitas, Valença e Vitória da Conquista.

Para saber mais informações, consulte o site da SEC – BA  para ter acesso os editais oficiais