Presidente Alencar no momento da sanção presdiencial da Sociologia em 2 de Junho de 2008


Presidente Alencar no momento da sanção presdiencial da Sociologia em 2 de Junho de 2008 

Presidente Alencar no momento da sanção presdiencial da Sociologia em 2 de Junho de 2008 

Presidente Alencar no momento da sanção presdiencial da Sociologia em 2 de Junho de 2008

Uma conquista de quase cem anos de luta, no estado de SP continua sob ameaça. Forças conservadoras e retrógradas, no estado governado por tucanos há 16 anos,

ainda tentam nos impor uma derrota contra o ensino de Sociologia e Filosofia nas escolas médias de Campinas. O Sinsesp, que organizou com outras entidades desde 1997, uma luta e resistência nacional para fazermos valer a obrigatoriedade do ensino e mudarmos a LDB, publica, a seguir, importante posicionamento do Prof. Dr. Amauri, da USP, nosso ex-diretor, em defesa do ensino de Sociologia. Comunicamos a todas que estamos entrando em contato com a APEOESP para ver quais procedimentos legais são cabíveis para que possamos ter garantido nosso direitos e o cumprimento da Lei.

Amauri César Moraes *

A respeito do editorial O inchaço do currículo escolar (20/8, A3), depois de 32 anos como professor de ensino fundamental, médio e superior em instituições públicas e privadas, convivendo com diretores e donos de escolas, pedagogos e técnicos de educação, e depois de defender mestrado sobre os editoriais do Estado, ainda me surpreende a desenvoltura com que falam de temas tão complexos como currículo escolar.

É claro que se socorrem de “argumentos de autoridades”, mas, se essas autoridades o fossem de fato, teriam indicado livros como os do professor Tomas Tadeu da Silva, um dos maiores teóricos sobre currículo, e lá se teria lido que não existe esse currículo natural, nem um currículo por aí que pode ser descoberto, tampouco um currículo tecnicamente definível.

O currículo é fruto de disputas, lutas, debates, pressões, interesses de grupos. É coisa humana, não natural. Engano-me: o editorialista sabe muito bem disso, e tanto sabe que escreve o editorial para fazer valer sua opinião – já que jornal não é só informação, como dizia antigo editorial que analisei há anos.

Pois bem, é possível que haja ainda no jornal quem tenha conhecido o professor Jean Maugüé, do Departamento de Filosofia da USP, membro da missão francesa. Ele dizia que não tinha a pretensão de formar filósofos – ele mesmo não era um filósofo, senão um professor de Filosofia, e dos melhores; queria que seus alunos aprendessem Filosofia para assistir a um filme, entender uma peça de teatro, apreciar um livro e, certamente, ler um jornal, por exemplo, esse editorial, para poderem entender bem o que quer dizer o editorialista abaixo da superfície das boas intenções e preocupações com a educação nacional.

O editorialista demonstra em seus próprios exemplos como a definição do currículo não é assim tão simples: Português, Matemática e Ciências (suponho que as Naturais, porque as outras, como Sociologia, não devem ser ciências) há décadas ocupam a maior parte do currículo e os péssimos resultados dos estudantes brasileiros em testes nacionais e internacionais não são de agora, com a entrada de Filosofia, Sociologia e Cultura Afro-Brasileira no currículo.

Quem sabe, até por lerem mais nessas disciplinas se possa ter, daqui a alguns anos, estudantes com maior proficiência de leitura e raciocínio lógico. Não há Sociologia ou Filosofia nas séries iniciais, quando se dá a primeira etapa da alfabetização, e nem por isso os alunos saem “mais” alfabetizados. Assim, cada escola, comunidade ou sistema de ensino deve definir as disciplinas do currículo conforme os objetivos que pretende: aqueles que querem alunos com uma formação geral, humanística, escolhem um currículo com variedade de saberes, Literatura, Filosofia, História, Ciências Naturais, Artes, etc.; aqueles que querem uma formação mais religiosa, como as escolas confessionais, incluem Ensino Religioso; aqueles que querem uma formação técnica escolhem uma escola com currículos técnicos ou tecnológicos; e aqueles que querem colocar seus alunos nas melhores universidades nem precisam definir currículos, apenas procedem a um treinamento de seus alunos para esse fim, uma vez que eles já vêm formados de casa. Mas alguém perguntou às escolas públicas o que elas pretendem formar?

O Conselho Estadual de Educação de São Paulo precisava estar atento a esse segmento também, se não pode incluir representantes da escola pública entre seus membros, poderia, ao menos, abrir audiências públicas para ouvir professores, dirigentes, pais de alunos e pesquisadores sobre escolas públicas para saber como responder aos anseios dessa comunidade.

* Sociólogo e professor da Faculdade de Educação da USP – acmoraes@usp.br

NR – O editorial em questão não fala em “currículo ideal”.

Editorial Disponível em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100825/not_imp599990,0.php

Fonte: Sindicatos do sociólogos do Estado de São Paulo

Sobre Denis Wesley

Pode invadir ou chegar com delicadeza Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir... Não grite comigo, eu tenho o péssimo hábito de revidar... Tenha vida própria, me faça sentir saudades... Conte umas coisas que me façam rir... Acredite nas verdades que digo e nas mentiras, elas serão raras, mas sempre por uma boa causa... Respeite meu choro... Deixe-me sozinho, só volte quando eu chamar, e não me obedeça sempre é que eu também gosto de ser contrariado... Invente um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o inverta as vezes... Então: Sou Denis Wesley, muito prazer.

Publicado em 02/03/2011, em Sociologia no Ensino Médio. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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