A menina Inezita Barroso


A menina Inezita Barroso

Foi no dia 4 de março de 1925, um domingo de carnaval, quase segunda, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, que nasceu Ignez Magdalena Aranha, hoje famosa no país como Inezita Barroso, na infância chamada de Zitinha

(…) Enquanto primos e primas brincavam com boizinhos e cavalos de verdade, Zitinha, com seus sete anos de idade, corria feito uma doida para ouvir os peões cantarem um monte de modas ao som de violas. Às vezes, ela chorava de emoção. E em vão ela pedia, rogava mesmo, que lhe ensinassem a tocar qualquer coisa, qualquer música, mas eles diziam de maneira imperativa que não podiam fazer isso. O motivo? Tocar viola, eles diziam, não era brincadeira; tampouco de menina. E nem de mulher. Mesmo assim, Zitinha não arredava pé e ficava ouvindo durante horas e horas as cantigas que eles cantavam e tocavam. Ouvi-los tocar, podia…

Trecho do livro infanto-juvenil “A Menina Inezita Barroso”, que trata da vida e trajetória da paulistana Inezita Barroso, cantora, folclorista e apresentadora do programa ‘Viola Minha Viola’, há 30 anos no ar pela TV Cultura de São Paulo.

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O livro do jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo é todo ilustrado com xilogravuras do consagrado, nacional e internacionalmente, artista plástico Ciro Fernandes. Nas 72 páginas do livro, Assis conta desde o nascimento de Inezita até o momento em que ela assiste a uma apresentação de Carmen Miranda no Rio de Janeiro e decide virar cantora, tão importante e famosa como a portuguesinha Carmen.

De maneira simples, natural, Assis Ângelo primeiro descreve a cidade de São Paulo das décadas de 1920 e 1930 para depois contar a história de Zitinha (Inezita Barroso), que no correr do tempo se tornaria uma das maiores estrelas da música popular brasileira. É um livro escrito para leitores de todas as idades, como ele diz: “Dos oito aos oitenta, para ser lido num fôlego só”.

Quando criança, Inezita, a Zitinha, adorava ver o pai ouvir música num gramofone que fica à mostra na sala de visitas. Ele – e ela – ouvia Noel Rosa, Chico Alves, Paraguassu, Gastão Formenti e mais um monte de grandes artistas, incluindo Vicente Celestino cantando Noite Cheia de Estrelas… Ela gostava de ouvir todas as modas de viola de seu tempo, cantadas por Torres & Florêncio, Zico Dias & Sorocabinha e Mariano & Caçula. E se emocionava especialmente com a moda Jorginho do Sertão…

A história começa em pleno domingo de carnaval e segue pela vida de Zitinha até quando viaja de férias ao Rio de Janeiro, aos 15 anos, quando Carmen Miranda se apresenta no extinto Cassino Atlântico, ao lado do ator Grande Otelo.

E foi assim, conta Assis Ângelo, “que surgiu uma das maiores estrelas da música popular brasileira: Inezita Barroso, que até hoje encontra no folclore e no cantar do povo a alegria da sua vida”. No final do livro, lê-se um depoimento de Inezita objetivo e de certo modo emocionado.

Nota de redação: A primeira apresentação profissional de Inezita Barroso aconteceu no Teatro Santa Isabel, em Recife, PE. Seu disco de estréia, um 78 RPM, foi lançado em 1951, com as canções Funeral de um Rei Nagô, de Hekel Tavares e Murilo Araujo; e Curupira, de Waldemar Henrique.

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br

Sobre Denis Wesley

Pode invadir ou chegar com delicadeza Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir... Não grite comigo, eu tenho o péssimo hábito de revidar... Tenha vida própria, me faça sentir saudades... Conte umas coisas que me façam rir... Acredite nas verdades que digo e nas mentiras, elas serão raras, mas sempre por uma boa causa... Respeite meu choro... Deixe-me sozinho, só volte quando eu chamar, e não me obedeça sempre é que eu também gosto de ser contrariado... Invente um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o inverta as vezes... Então: Sou Denis Wesley, muito prazer.

Publicado em 03/04/2011, em Antropologia, Antropologia Social. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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