O futuro a nós pertence – Entrevista com Luiz Alberto de Oliveira


O futuro a nós pertence
Entrevista com Luiz Alberto de Oliveira

Mestre em Física Quântica, doutor em Cosmologia, pesquisador e professor de História e Filosofia da Ciência Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) do Ministério de Ciência e Tecnologia, pesquisador da área de Comunicação e Cultura, mediador de debates dos encontros Nós Digitais e curador do Museu do Amanhã. O currículo de Luiz Alberto Oliveira é tão extenso quanto transdisciplinar. Assim também foi a entrevista concedida por ele ao Globo Universidade, em sua movimentada sala no CBPF, no campus da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

Para Oliveira, a universidade precisa se adaptar aos novos tempos com mais interação entre as diferentes disciplinas para poder discutir temas como, por exemplo, a mudança climática. Além das questões enfrentadas pela academia, o professor também falou sobre as influências da Cosmologia no entendimento do universo, os impactos de experiências como o superacelerador de partículas do Large Hadron Collider (LHC), a célula sintética, a possibilidade de vida extraterreste, a hibridização entre homem e máquina, o impacto da tecnologia na vida das pessoas e nas futuras gerações, redes sociais e politização do debate sobre ciência. Ele adiantou também detalhes de como será o Museu do Amanhã, projeto da prefeitura do Rio de Janeiro para a Praça Mauá, que terá cinco mil metros quadrados e a promessa de uma viagem (de ida e volta) ao futuro.

Oliveira fez questão de frisar que o futuro a nós pertence, uma vez que as ações que empreendemos hoje têm consequências e é de suprema importância que as pessoas debatam sobre as descobertas científicas para que a sociedade decida, em conjunto, o futuro que quer. “O amanhã não é fixo, não está pronto, não é apenas uma data no calendário. É onde vamos estar e viver, e está sempre sendo construído”, afirma.

Globo Universidade – Você é físico, ministra aulas de História e Filosofia da Ciência e participa de pesquisas em Comunicação. Você acha que a multidisciplinaridade já faz parte do cotidiano da universidade brasileira?

Luiz Alberto Oliveira – Há sim algumas pessoas e grupos que compreendem a necessidade e a conveniência do diálogo e da interpenetração entre as diferentes áreas para podermos abordar de maneira eficaz questões que envolvam disciplinas variadas. Vejamos a questão do clima, por exemplo. Essa discussão demanda conhecimento sobre a física do sol — principal influência sobre o clima —, de geologia, física de fluidos e demanda modelos matemáticos sofisticadíssimos para compreendermos o intercambio de gases na atmosfera. São necessários biólogos, ecólogos, economistas: todos esses especialistas têm algo a acrescentar sobre como o clima funciona, qual é a nossa ação sobre ele, os efeitos de sua mudança sobre a Terra e sobre a humanidade. Não pode haver um ‘aquecedologista’, não faz sentido. Por isso, as universidades, as escolas têm que ser multidisciplinares, interdisciplinares, não por elas, mas para o mundo: o planeta demanda que haja esse diálogo. Mas a inércia e a resistência são muito grandes. Nós vivemos, ao longo do século XX, um processo de especialização crescente em que a competência é aferida pelo grau de especificidade que se tem.

GU – Essa especialização, na academia, parece ser muito valorizada.

LAO – Sim, mas não pode mais ser assim. Para conseguirmos debater questões complexas, não pode haver fragmentação e isolamento. Não dá para um especialista dizer ao outro que ele não pode meter a mão na cumbuca alheia. É preciso, ao contrário, que as universidades fomentem todo tipo de associação, conferências, encontros, estudos para que a gente possa dispor dos recursos cognitivos, dos operadores de conhecimento necessários para lidar com questões multifacetadas.

GU – Dominar mais de uma área já é uma exigência em algumas empresas.

LAO – Quem estuda física de partículas precisa fazer reconstruções de eventos microscópicos em que acontecem quinquilhões de choques por segundo. É uma quantidade colossal de dados e essas pessoas precisam trabalhar com sistemas de computação muito sofisticados. Esse pessoal está sendo chamado pelas empresas que aplicam na Bolsa de Valores, porque elas precisam analisar e cruzar uma variedade enorme de informações para construir cenários e tentar antecipar as valorizações e quedas nas ações.

GU – Isso faz lembrar aquele filme Pi.

LAO – Isso, exatamente. Então começa a haver transposição das especialidades que não podem mais ser estanques. Mas a academia é muito paquidérmica, muito conservadora, ciosa de onde já chegou, com a tendência a preservar o que já está estabelecido. Agora, nosso momento é de lidar com inovação, com o inesperado, com o imprevisto constante.

GU – Como foi sua trajetória na universidade? Como você ingressou na área de Cosmologia?

LAO – Tinha acabado o mestrado em Física Quântica quando o núcleo de Cosmologia e Gravitação do CBPF estava sendo inaugurado. Fui, então, atraído por esta área, onde consegui sintetizar meus interesses de cientista pela natureza e de filósofo pela reflexão sobre o próprio pensamento. E lá se vão 25 anos…

GU – A Cosmologia estuda a origem, a estrutura e a evolução do universo. Como aplicar o método científico nesse tipo de estudo? Deve ser difícil comprovar teorias sobre o universo com experimentos?

LAO – O que caracteriza a prática da ciência é o seu modo de dialogar com o mundo natural. Esse diálogo é pautado por um método. Funciona assim: você faz perguntas ao mundo, constroi um modelo da regra que governaria o desenrolar desse fenômeno e, a partir desse modelo, você extrai previsões, configurações possíveis que esse fenômeno deveria exibir em certas circunstâncias. E o que é decisivo para ser uma prática da ciência é que você retorne ao fenômeno com essa nova pergunta, de forma a comprovar ou não sua hipótese. As experiências vão então dizer se a sua proposta de regra é eficaz ou não. Se for eficaz, ótimo. Se não, você tem que abandonar ou reformar o modelo. A ciência não serve para produzir enunciados definitivos, não produz verdades com V maiúsculo, absolutas e acabadas. Só produz verdades com v minúsculo, provisórias, circunstanciais, e obrigatoriamente superáveis e aperfeiçoáveis. A ciência é evolutiva, cumulativa. Diferente da arte, por exemplo, que não evolui, não há “progresso” em arte. Já a ciência tem essa regra maior que é o método empírico, pelo qual os termos empregados no diálogo com a natureza vão sendo sucessivamente validados pela própria natureza.

GU – E como aplicar este método à Cosmologia?

LAO – É curioso porque até meados do século XX não poderia haver uma Cosmologia científica. Exatamente porque faltava uma perna do método empírico: a validação pela observação. Como somos confinados a uma parte do Cosmos, não haveria como fazer indagações sobre o Todo, sobre o conjunto de todas as partes, uma vez que não as visitamos, não vamos até lá. Nessa linha, e foi assim ao longo do século XX, uma Ciência da Totalidade não seria possível. Aconteceu, porém, que teorias, como a Relatividade Geral de Albert Einstein, e observações da astronomia profunda, como as de Edwin Hubble, nos mostraram que é sim possível examinar e aferir fenômenos de âmbito universal a partir de onde estamos, daqui do nosso cantinho mesmo. Descobrimos certas características que não são específicas deste local em que habitamos; dizem respeito, de fato, à relação de cada local com todos os outros locais e, portanto, são aspectos da Totalidade. Tornou-se assim possível que o Cosmos – a expressão mais abrangente do existir natural, identificada ao universo astronômico – se tornasse um objeto legítimo da pesquisa científica. Ou seja, é possível modelizar as características desse Cosmos e verificar se esses modelos são eficazes. Então, a partir de meados do século XX, a Cosmologia passou a ser ciência: é a parte da Física que tem por objeto esse sistema peculiar chamado Universo.

GU – Para isso, você parte do pressuposto que o universo comporta-se hoje da mesma forma que sempre se comportou?

LAO – Não. A partir da estrutura que identificamos hoje, aplicando as leis da Física podemos modelar como o universo poderá ser daqui para frente e como deve ter sido no passado. Os astrônomos nos informam com imagens que eles obtêm do cosmos e, com esses dados, fazemos modelos matemáticos para configurações futuras ou passadas. E, por incrível que pareça, isso funciona! Ou seja, é possível começarmos a selecionar dentre os modelos, a sugerir certas características que depois são encontradas e a integrar cada vez mais profundamente a física terrestre, desenvolvida nos laboratórios aqui da Terra, com a física celeste. Cada vez mais a gente busca essa integração e os conhecimentos que obtemos nos laboratórios estão servindo para fundamentar os conhecimentos que obtemos do cosmos, e vice-versa.

GU – Qual a diferença entre Cosmologia e Astrofísica?

LAO – A Astrofísica dedica-se a estudar os processos que ocorrem com as partes da totalidade, ou seja, a forma como as galáxias se estruturam, os motivos para haver, dentro das galáxias, sistemas de estrelas com determinadas configurações, quais são as linhagens de estrelas, como são suas trajetórias etc. Esses sistemas particulares e específicos são os objetos de estudo da Astrofísica. A Cosmologia, por sua vez, estuda o todo, o cosmos, a origem e a evolução do universo até este alcançar a estrutura atual. É como se a Cosmologia estudasse a Antropologia do homem e a Astrofísica estudasse as células humanas.

GU – Qual a importância do acelerador de partículas do LHC, que gerou grande repercussão recentemente, para o estudo do universo?

LAO – É um pequeno passo que está sendo dado. Pode parecer ambíguo classificar de ‘pequeno passo’ um dispositivo de quase 30 km, que envolve 5 mil cientistas e 10 bilhões de dólares. Mas o primeiro objetivo do acelerador é consolidar, ou não, certo modelo acerca da constituição básica das matérias que nós conhecemos. Quer dizer, verificar se este ‘modelo-padrão’ precisa ser reformado. Primordialmente, é para isso que o acelerador se destina. Trata-se de uma pequena etapa indispensável, mas a partir dessa etapa muitos outros horizontes serão abertos.

GU – Você pode citar exemplos?

LAO – Se este modelo que até aqui adotamos como padrão para as famílias de partículas elementares não for comprovado, não for consolidado, isto significará que teremos de renovar nosso entendimento sobre a constituição fundamental dos corpos e das matérias, entendimento esse que vigora já há uns 30 anos. Teríamos de abandonar uma série de ideias e começar a sondar novamente aquilo que achávamos que já tínhamos mapeado.

GU – Você fala sobre a origem da matéria?

LAO – Sim e também sobre os modos pelos quais as matérias se organizam. Talvez sejam necessários novos tipos de matérias para poder dar conta dos resultados que venham a ser encontrados. Ou, ao contrário, o que talvez não seja tão bacana: as mesmas velhas matérias servirão para definir a questão. É isso que está para ser decidido. Então, novamente, como você vai expandir esse resultado para toda história cósmica? Isso abarca uma série de outros problemas mais amplos que, na verdade, vão começar a ser abordados através de novos telescópios-satélites e terrestres a serem inaugurados nesta década. E esses novos telescópios irão, talvez, produzir resultados ainda mais arrebatadores que os do Hubble. Existe uma grande expectativa de que vários dilemas sobre questões da física do Todo possam ser resolvidos. Será uma década muito animada!

GU – Que dilemas esses telescópios poderão resolver que mudarão o que as pessoas comuns – não cientistas – pensam sobre o universo?

LAO – O problema inicial é o da teoria da constituição do conteúdo do cosmos, que versa sobre as espécies de matérias que o compõem. Quando olhamos o universo, vemos fundamentalmente estrelas, elas são os personagens básicos do cosmos. E as estrelas se agrupam em aglomerados chamados galáxias. Ora, quando examinamos estrelas viajando perto da borda de uma galáxia, verificamos que elas precisam estar presas por forças muito intensas para fazerem as trajetórias que observamos; caso contrário, levando-se em conta a velocidade com que se movimentam, sairiam em disparada. Mas se contarmos as estrelas que existem nessa galáxia, descobrimos que elas não são suficientes, não totalizam a massa necessária para gerar a força que segura tais estrelas. Concluímos então que deve haver uma matéria ‘escura’, não luminosa e essa matéria é a responsável por atrair as estrelas viajantes.

GU – Essa matéria gera gravidade?

LAO – Sim, ela seria uma fonte adicional de gravidade, mas que nós não vemos. Existe a matéria luminosa, que são essencialmente as estrelas, mas as observações sugerem que deve haver também muita matéria não-luminosa, que não sabemos o que é. Essas observações começaram na década de 1930. Demorou, contudo, mais de 60 anos para que as pessoas se convencessem de que tinha de haver uma causa diferente, outro agente desconhecido, para explicar esses movimentos peculiares. Este agente foi chamado de “matéria escura”, e hoje acredita-se que exista cerca de cinco vezes mais matéria escura do que a matéria luminosa que podemos ver.

GU – E onde esta matéria escura está localizada?

LAO – Está concentrada nas galáxias. O que é isso que não emite luz e também é fonte de atração gravitacional? Não sabemos. Além disso, de 1998 para cá, ao serem examinados certos comportamentos coletivos das galáxias, descobriu-se uma coisa incrível: o universo está num estado de aceleração. Hubble, em 1927, descobriu a expansão do universo: as galáxias afastam-se umas das outras, como se entre elas brotasse distância. Só que até há pouco supúnhamos que essa expansão estivesse sendo freada devido à atração mútua das galáxias. Mas as observações feitas a partir de 1998 mostraram um quadro muito diferente: o universo estaria inchando cada vez mais rápido. É a chamada aceleração cósmica. Torna-se assim necessário imaginar a ocorrência de um outro tipo de gravitação, que teria um efeito repulsivo, de modo a fazer com que as galáxias se afastem cada vez mais rápido. Esse agente, fonte de tal gravitação repulsiva, é chamado de “energia escura”. Estima-se, pelos dados atuais, que ele formaria cerca de 70% do que está lá fora. Ou seja, olhamos para o Universo e percebemos que 70% de sua composição é de energia escura, 25% de matéria escura e somente 5% é da matéria que nós conhecemos.

GU – É possível fazer uma analogia para ficar mais claro?

LAO – Em vista de suas vastíssimas dimensões, o universo pode ser representado pela imagem de um imenso vazio, salpicado aqui e ali por uma poeirinha bem rala. O surpreendente é que esse conteúdo de “poeira galática”, em vez de tender a se atrair e, portanto, a frear o processo de distanciamento mútuo, parece estar, ao contrário, experimentando um inchaço cada vez mais intensificado. É como se o universo fosse um balão que alguém estivesse enchendo com uma bomba de ar, num ritmo cada vez acelerado. Se esse fato realmente se comprovar, o universo terá um futuro bastante perturbador: as galáxias se distanciarão a tal ponto que praticamente deixarão de estar em contato.

GU – E hoje existe contato entre as galáxias?

LAO – Sim, embora estejam muito distantes, a atração gravitacional entre elas tende a reuni-las em grupos, que formam aglomerados, que se associam em superaglomerados, que são os grãos da “poeira cósmica” de que falávamos há pouco. Mas é preciso ter atenção com as escalas de que estamos falando. Galáxias podem conter centenas de bilhões de estrelas, como a nossa Via Láctea. Mas são objetos tão grandes, que essas estrelas se acham separadas por enormes distâncias, de tal maneira que, quando duas galáxias colidem, tipicamente se atravessam sem que nenhuma estrela se choque diretamente.

GU – Galáxias se chocam? Passam por dentro uma da outra? A nossa galáxia já passou por dentro de outra?

LAO – Sim, colisões entre galáxias são comuns, mas o principal efeito é devido à atração gravitacional: ao passarem através uma da outra, elas se puxam, se distorcem e deformam, contudo não há choques de frente entre as estrelas. Nossa galáxia, por exemplo, já se encontrou com diversas outras, e temos indícios de que várias aglomerações peculiares de estrelas que observamos na Via Láctea são, de fato, restos de galáxias antigas que ela absorveu. Além disso, estamos rumando para, daqui a um tempo razoável, nos encontrarmos e nos fundirmos com a vizinha galáxia de Andrômeda. As noites, nessa época, deverão ser interessantíssimas, com miríades de estrelas a mais do que no céu de hoje. Se pudéssemos assistir a esse espetáculo…

GU – Esse distanciamento acelerado entre as galáxias terá alguma implicação para a Terra?

LAO – De certo ponto de vista, sim. A Cosmologia é o pano de fundo para evolução das formações materiais, como o sistema solar. Este é o pano de fundo para a emergência das organizações da vida, que, por sua vez, são o pano de fundo para o surgimento das inovações do pensamento, da cultura, da inteligência. Portanto, de certa forma, é como se a Cosmologia nos fornecesse a história a partir da qual se desenrolam todas as demais histórias, o “Era uma vez…” mais abrangente e primordial, no qual todos os outros começos se encaixam. Os caracteres do universo remetem assim, em última instância, à própria condição humana.

GU – De que forma?

LAO – Consideremos, por exemplo, a pergunta: qual é a frequência da vida e da inteligência no cosmos? Quais as probabilidades de nos encontrarmos com outras formas de vida? E de inteligência? Essa é uma discussão muito acesa: os biólogos afirmam que, tendo em vista as especificidades da evolução biológica na Terra, as chances de ocorrer vida inteligente em outro planeta são muito pequenas. Os cosmólogos rebatem observando que parece haver tantos sistemas solares que a ocorrência de vida deve ser frequente, e logo as chances de surgir inteligência também devem ser grandes. Os debates atuais são muito acesos, mas esta é uma questão para a qual há pouca esperança de se obter uma resposta definitiva em breve. Sob esse ponto de vista, é mais razoável a expectativa de que criemos nós mesmos uma outra inteligência, isto é, uma inteligência artificial.

GU – Você quer dizer que é mais provável convivermos com uma inteligência criada por nós do que nos depararmos com vida inteligente fora da Terra?

LAO – Sim. Em vista da grandeza avassaladora do Cosmos, muitos pesquisadores são de opinião de que será mais fácil dialogar com uma outra inteligência desenvolvida a partir de nossos próprios inventos e avanços técnicos – e há previsões de que isso venha a acontecer em cerca de 20 anos – do que entrar em contato com um autêntico alien inteligente. Concluímos, então, que as interrogações profundas que marcam a condição humana – quem somos? o que estamos fazendo aqui? etc. – são fortemente balizadas pelos conceitos da Cosmologia.

GU – A reflexão filosófica é condição para criarmos essa nova inteligência?

LAO – Pode-se criar um sistema ou dispositivo inteligente sem essa reflexão. A questão, no entanto, é: para que vamos fazer isso? Somente refletindo sobre as condições atualmente existentes para o desenvolvimento das ciências e das técnicas, através de uma discussão filosófica, é que efetivamente poderemos nos posicionar e deliberar acerca dos gravíssimos e interessantíssimos problemas que nossa civilização vai enfrentar nas próximas décadas.

GU – Você faz parte de um grupo de pesquisas na área de Comunicação. Vocês discutem a forma como a ciência chega às pessoas, através da mídia?

LAO – Discutimos efeitos da tecnologia na cultura. O conceito de risco, por exemplo, sofreu grande transformação. É como se, agora, o futuro afetasse o presente. O presente, o domínio das escolhas e ações, passou a ser moldado pelas expectativas do futuro; não mais pela esperança ou pelo desejo, mas pelo temor, pela ameaça. Essa transformação transparece nos meios de comunicação. É muito diferente das expectativas da utopia revolucionária que se vivia em outros períodos, o espírito é outro.

GU – Você acha que existe uma tendência ao catastrofismo?

LAO – Tanto ao catastrofismo quanto à fascinação quase bestificada. Vemos, ouvimos e lemos que as células-tronco vão curar cegos ou matar bebês. Proclama-se sempre um caso extremo. Não é, aparentemente, muito fascinante o trabalho cotidiano de exploração que poderá levar à cura de algumas formas de cegueira e poderá envolver o descarte de células – o que não tem nada a ver com bebês. E o fato de determinada pesquisa levar cinco anos ou mais para certificar possíveis resultados parece lhe tirar o valor jornalístico.

GU – E que consequências você enxerga nessa postura jornalística em relação à ciência?

LAO – O interesse, o foco, é sempre na ruptura, na descontinuidade. Não são abordadas as atividades constantes e cotidianas dos cientistas para aumentar a compreensão sobre o mundo. Isso não parece ser noticia. Chega assim às pessoas uma imagem um tanto distorcida do que é a ciência. Numa pesquisa britânica sobre o que o público espera das atividades da ciência, por exemplo, um bom número acredita que é função da ciência garantir 100% de segurança e eficiência para um medicamento. Ora, não é possível oferecer 100% de eficácia para coisa alguma. Não é assim que a ciência funciona, não é para isso que ela serve. Serve sim para mostrar que, em 92% dos casos, o remédio funciona assim, em 5% funciona assado e em 3% não temos ideia. E aí se pode afirmar que, se em 92% dos casos o medicamento tem o resultado pretendido, ele vale a pena e pode ser comercializado.

GU – Seria uma tendência à simplificação?

LAO – Simplificação e mistificação do que de fato a ciência é, do que pode fazer e do que não pode fazer. É como uma caricatura. E aí as pessoas perdem a possibilidade de conhecerem de fato as transformações em curso. Essa falta de entendimento afeta também a possibilidade de poderem participar, através do debate político, das decisões sobre os usos e destinos dos avanços e descobertas, sobre as tendências e implicações das pesquisas e dos investimentos. E, assim, as pessoas passam a ser vitimas, no sentido de que não são atores. Mas, na verdade, é indispensável que, nas próximas décadas, a dimensão política dos resultados das aplicações da ciência seja profundamente debatida por toda a sociedade. Não falo da atividade criativa da ciência, mas do que fazer com os dispositivos extremamente poderosos e transformadores que a ciência já nos legou. Não se pode despolitizar ou anestesiar essa discussão. Precisará haver uma discussão ética, principalmente, para que possamos ser agentes positivos da construção de um futuro do qual os nossos descendentes longínquos possam se lembrar se não com saudade, pelo menos com certa compaixão.

GU – Você acha que, além dos meios de comunicação tradicionais, as redes sociais terão influência nessa discussão política sobre as aplicações da ciência?

LAO – Sim. Essas redes são cada vez mais um meio de participação, de interação crescente, de formação de coletividades, com os mais diferentes níveis e hierarquias. Isso envolve uma variedade de recursos cognitivos e resulta em um brutal enriquecimento da capacidade de reflexão e debate. Sem esquecer também do movimento contrário: somos avassalados por uma quantidade tal de informação que afundamos, submergimos, não conseguimos dar conta. Gastamos tanto tempo separando o dado que é importante do que não é que o tempo acaba… E os dois aspectos vêm juntos, vêm com o meio, e precisamos aprender a lidar com eles.

GU – Voltando ao tópico anterior, como seria essa nova inteligência?

LAO – A tecnologia do século XX é marcada por algumas características notáveis. A primeira é a tendência à miniaturização dos componentes, de modo que os artefatos tornem-se cada vez mais compactos e menores. Isso leva à portabilidade: é cada vez mais fácil carregá-los. A consequência é dupla: a individualização do uso e a correspondente massificação da produção. Já houve um móvel chamado vitrola, lembra? Costumava ficar na sala das casas. Hoje, cada pessoa tem um dispositivo individual de ouvir música, e todo dia se tornam ainda menores e mais integrados. A tendência é que, no futuro, haja cada vez mais objetos técnicos que possuam capacidades de processamento de informação próximas às que realizamos como seres inteligentes. É como se o pensamento não ocorresse mais apenas dentro de nós, como se certas capacidades e construções cognitivas – como memória, cálculo, raciocínio lógico, esquemas arquitetônicos, diagramas de composição etc – tivessem sido exportadas para objetos externos. Trata-se de ir muito além do que apenas aumentar nossa capacidade sensível, ou seja, incrementar o potencial dos nossos sentidos através de próteses perceptivas como microscópios, telescópios, estetoscópios, ressonâncias, que nos permitem sondar o que era invisível. A expectativa é que, em 20 anos, haja dispositivos de processamento com capacidades comparáveis a do cérebro humano.

GU – Mas esses dispositivos semelhantes a setores do cérebro humano seriam integrados ao nosso corpo?

LAO – Esta parece ser uma tendência bem clara. Para serem efetivamente comparáveis ao funcionamento de nosso cérebro, esses dispositivos precisam poder passar por uma espécie de aprendizado, comparável ao desenvolvimento de uma criança. Graças a essas experiências de aprendizado, eles poderiam construir sua arquitetura interna, sem se restringir ao automatismo típico dos mecanismos. Esses novos sistemas, muito ao contrário, teriam essa capacidade interna de aprender, ou seja, de mudar a própria arquitetura, para assimilar uma nova informação. Se você muda sua natureza em resposta a um estímulo do exterior, isso é aprendizado, é o que diversos organismos fazem, é o que nós fazemos e o que esses dispositivos passarão a fazer. Assim, é previsível que se desenvolva uma convergência, uma intimidade, entre esses dispositivos e nosso sistema nervoso. Hoje, nós digitamos. Muito em breve, passaremos a falar para o computador. Depois, a posição dos nossos olhos vai servir para ativar os dispositivos e, em seguida, haverá integração direta com o nosso sistema nervoso.

GU – Integração direta com os nossos neurônios?

LAO – Sim, através dos terminais nervosos, da pele, da língua, dos olhos, dos ouvidos. Será possível integrar diretamente dispositivos artificiais de tal maneira que você passará a ter essa hibridação entre esses dispositivos e os neurônios. A expectativa é de que isso aconteça em até menos de 20 anos.

GU – Como na experiência do cientista Miguel Nicolelis, em que um macaco conseguiu controlar da Carolina do Norte (EUA), via sinais cerebrais, os movimentos de um robô que estava em um centro de pesquisas em Kyoto, no Japão?

LAO – Exato. E Nicolelis já anunciou que tem descobertas incríveis para divulgar em breve. Ele conseguiu mais avanços nas ligações entre o sistema nervoso e sensores cibernéticos. O futuro é esse: colocar em contato o sistema nervoso e dispositivos artificiais, sem mediação das mãos, da voz ou de outro sentido.

GU – Mas isso seria feito através de quê? De fios na cabeça?

LAO – Podem ser fios no cérebro, ou implantes na medula, como em Matrix, ou na pele, em qualquer terminal nervoso, em suma. Já existe patente para se fazer uma forma de circuito eletrônico tatuado na pele, e a própria bioletricidade do corpo serviria para ativar esse dispositivo.

GU – Mas implantaríamos isso através de cirurgias?

LAO – A grande questão gira em torno disso: como fazer o contato entre terminais nervosos e os contatos eletrônicos? Está havendo avanço nessas questões e é previsível que haja respostas para isso num curto prazo.

GU – Poderíamos dizer que esse novo ser, híbrido, seria uma nova espécie?

LAO – Esse novo ser é o próprio homem estendendo seus limites, que até agora tinham sido definidos pela evolução, que regula as mudanças dos organismos. Mas hoje nos deparamos com duas tendências radicalmente inovadoras: podem surgir, por um lado, entidades inteligentes artificiais, criadas por nós, mas independentes e autônomas e, por outro lado, nós mesmos, nossa própria forma orgânica e cognitiva, está começando a deslizar, a poder ser tecnicamente modificada. Este é um momento singular na história da humanidade.

GU – Essa afirmação faz lembrar uma palestra de Juan Enríquez (
http://www.ted.com/talks/juan_enriquez_shares_mindboggling_new_science.html), um dos fundadores do projeto de ciências da vida de Harvard, com trabalhos importantes na avaliação de impactos destas ciências na economia e na política. Ele diz que, no futuro, as Paraolimpíadas serão muito mais interessantes que as Olimpíadas devido a essa hibridização e que haverá, através de dispositivos, grandes diferenciações entre os humanos, criando, de certa maneira, novas espécies.

LAO – Basta pensar que há vinte anos não havia o que chamamos de vida virtual. Havia já uma série de dispositivos de comunicação, mas eles não haviam revolucionado as relações sociais e a organização coletiva. Hoje, além do contato pessoal, existe uma rede de interações, uma espécie de nuvem de presenças, através da mediação eletrônica. Isso é um tipo de vivência social que até pouco tempo era inimaginável. Em uma geração, um período extremamente curto, produziu-se uma nova forma de os humanos se comunicarem. Hoje, mantemos contato com pessoas que não estão fisicamente presentes, mas estão cognitivamente ligadas a nós. Esse é um tipo de experiência completamente inovadora. Há 25 anos, metade da humanidade jamais havia feito uma ligação telefônica. Basta lembrar nas populações de camponeses da China, da Índia, da África, da America. Hoje, metade da humanidade tem telefone celular. A expectativa é que, em 2011, mais um bilhão e meio adquira um telefone móvel.

GU – Hoje há o conceito de excluído digital…

LAO – E quem não tiver celular será considerado excluído total. E não temos a menor ideia do que poderá ocorrer com essa sociedade extremamente conectada. Não há antecedentes, não há precursores. Atualmente, manipular um mouse é uma ação corriqueira para as crianças desde muito cedo. Todo o espectro de atividades, emoções, sentimentos, expectativas, experiências que moldava a vida humana até recentemente começou a ser expandido, reformatado, reformulado, numa escala extremamente abrangente. Isso gera reações. Essa gama de transformações tão vasta gera o apego a fundamentos de todos os tipos e origens, como uma tentativa de manter uma ancoragem em algo sólido e conhecido. O fundamentalista é aquele que reage à novidade que bate à sua porta. Ele recua para o tradicional, para o seguro, e faz uma fortaleza em torno de si para que o novo não o alcance.

GU – Seguindo esse raciocínio, você acha que o fato de a ideia de Deus estar sendo tão questionada alimenta a religiosidade e o fundamentalismo crescentes em alguns lugares?

LAO – Sim. É uma espécie de retorno à tradição, ao passado, ou uma forma de fortalecer os modos costumeiros perante esse futuro tão vasto, tão inovador e tão desconhecido que se descortina hoje. É uma atitude de cautela e prevenção, uma forma de determinar valores para si e para seus próximos e colocar uma armadura para se proteger dos ‘ventos de transformação’ por demais assustadores.

GU – A experiência que resultou na célula sintética pode ser um exemplo desses ‘ventos de transformação’?

LAO – Claro. É um marco incrível na história da vida, um acontecimento de extrema importância. Pela primeira vez, existem organismos que não foram engendrados pelo mecanismo cego da seleção natural – que não opera com finalidade ou objetivo. Nesta nova realidade, surgem organismos gerados intencionalmente. Nunca houve isso nos 3,5 bilhões de anos da história da vida.

GU – Esse organismo foi criado de forma completamente artificial?

LAO – Essencialmente, sim. Os cientistas começaram quase do zero. Pegaram quatro substâncias químicas, combinaram-nas e formaram uma molécula comprida, contendo as instruções para sua reprodução. Substituíram o núcleo de uma célula existente por este núcleo artificial e ela funcionou, isto é, se manteve e se reproduziu. As novas gerações da célula, inclusive, levam o nome da empresa responsável pela façanha, e um verso. Há hoje um organismo que tem um verso escrito em seu genoma…

GU – Já se fala na criação de bactérias que comam o plástico do oceano e o transformem em oxigênio. Em outras que, no corpo humano, combatam o câncer.

LAO – Há muitas possibilidades. Por exemplo, a ideia de converter o lixo das cidades em fonte de energia. Em vez de reciclar parcialmente o lixo e jogar o restante em aterros, seria possível, através de bactérias que convertem praticamente qualquer coisa em um análogo do álcool, gerar combustível para fazer a cidade funcionar. Haveria pouquíssimo desperdício e diminuiríamos a necessidade de depredar a natureza. Pensar nisso tendo o pano de fundo das transformações climáticas é muito bacana. Mas, por outro ponto-de-vista, é uma realidade sem precedentes, cujo desenrolar, em longo prazo, somos incapazes de prever. Podemos imaginar as possibilidades. Mas não dá para determinar de antemão, com todos os detalhes, as consequências que poderão resultar de inovações técnicas deste calibre. A natureza, sabemos bem hoje, não é um mero mecanismo.

GU – O que impede um organismo desses, criado artificialmente, de sofrer mutações?

LAO – Nada. Ele sofrerá mutações, com certeza, da mesma forma que organismos naturais sofrem. A seleção natural continua valendo, mas vai operar sobre uma base artificial.

GU – Isso traz riscos, certo?

LAO – Isso injeta no presente uma dose de desconhecimento que faz o futuro essencialmente diferente do passado. O amanhã não será mais a continuidade de ontem. O amanhã será um desvio radical em relação ao ontem. A experiência acumulada no passado, as próprias tradições ficam relativizadas pela novidade tremenda deste momento. A pergunta que sempre se faz é “o que é o homem?” Essa pergunta é cada vez mais decisiva. Porque agora não se trata mais de dizer o que o homem é, e sim pensar e avaliar o que ele pode vir a ser.

GU – E qual a resposta?

LAO – Não sabemos. Ainda bem! O Museu do Amanhã busca justamente respostas à pergunta: “em que o homem está se transformando?”

GU – Você poderia falar um pouco desse projeto?

LAO – O Museu do Amanhã deverá ser um museu de ciência diferente de qualquer outro. Há dois tipos usuais de museu de ciências: os que acumulam registros e vestígios do passado, como os museus de História Natural; e os que descrevem fatos, explicam como as coisas funcionam, como vários museus didáticos. O Museu do Amanhã pretende colecionar possibilidades, isto é, proporcionar meios de se sondar futuros possíveis. Se empreendermos certas ações, podemos esperar determinadas consequências, se adotarmos outras ações, os resultados serão diferentes. As ações são sempre realizadas no presente, mas os resultados, os efeitos, ocorrem no amanhã. O objetivo é que o Museu sirva como um instrumento para as pessoas refletirem, a partir dessa sondagem de alternativas de futuro, sobre os estados de coisas dos quais elas efetivamente participam no presente.

GU – O objetivo é as pessoas se questionarem sobre as consequências de suas ações?

LAO – Exato. O amanhã não é fixo, não está pronto, não é apenas uma data no calendário. É onde vamos estar e viver, e está sempre sendo construído. Trata-se de oferecer meios para os visitantes discernirem e entenderem com mais clareza esse processo contínuo de construção, essa constituição do porvir. E não simplesmente achar que o amanhã já está lá, como uma fatalidade, e que estamos caminhando inexoravelmente em direção a ele, independente do que fizermos. Não, trata-se de produção, de criação, de trabalho. O projeto tem duas diretrizes éticas fundamentais: sustentabilidade (como podemos viver) e convivência (como queremos viver). Queremos levantar questões tanto sobre a relação que temos com o mundo, quanto sobre a relação que temos uns com os outros. Ambos os campos estão em aberto. Só sabemos é que, ao contrário que canta o poeta, não seremos os mesmos nem viveremos como nossos pais.

GU – E como será o Museu para o visitante? Haverá interação?

LAO – O espaço deverá ser inaugurado com o evento Rio 92 + 20, uma conferência promovida pela ONU que pretende debater, 20 anos após a Rio 92, o que foi feito desde aquele encontro e o que precisa ser feito daqui pra frente. Serão cinco mil metros quadrados de área expositiva, com recursos de museografia muito avançados. A proposta básica é retirar o visitante do cotidiano e levá-lo a avaliar um leque de expectativas de futuro, para depois trazê-lo de volta ao presente, enriquecido – e, quem sabe, também intrigado – pela consideração desse repertório de alternativas. Durante o percurso, a ideia é levar o visitante também para os amanhãs de ontem, ou seja, mostrar como eram as visões que as pessoas, em outras épocas, tinham do futuro. E mostrar como a realidade sempre supera, em muito, essas projeções. Com isso, espera-se que os espectadores exercitem a imaginação. Haverá também uma viagem cósmica, em que o visitante percorre a natureza em todas as suas escalas, das galáxias aos átomos. A parte principal do museu será uma grande nave com conjuntos de experiências explorando quatro grandes tendências que, certamente, serão importantes na moldagem do futuro próximo. O foco do Museu é 50 anos para a frente, tentaremos desenhar como será a vida entre 2050 e 2060.

GU – Você pode citar algumas questões que serão abordadas?

LAO – Mostraremos como determinadas atitudes que tomamos hoje terão impacto em fatores como mudança do clima, crescimento da população e aumento da longevidade, conectividade crescente entre as pessoas e culturas, diversidade tecnológica aumentando e biológica diminuindo. Pois hoje a diversidade decresce na natureza, nas espécies vivas, e cresce nos artefatos. Os estudiosos dizem que estamos vivendo uma mudança de era, passando para o período chamado de Antropoceno, em que a atividade do conjunto da Humanidade alcançou tamanha escala que precisa ser levada em conta como uma força ambiental, um dos fatores que definem o estado do planeta. A exploração predatória da natureza, por exemplo, diminui cada vez mais o número de espécies de corais, plantas e animais em geral. Não podemos mais dimensionar as mudanças no clima, as variações nos ecossistemas, se não levarmos em conta os impactos da civilização. Se desmatarmos três campos de futebol por mês, ou por dia, ou por ano, na Amazônia, isso terá grande influência sobre a vida no deserto australiano, porque as partículas das queimadas na Amazônia são conduzidas pelos ventos da alta atmosfera para a Austrália. Então, o que o pessoal por lá irá achar se desmatarmos cem, cinqüenta campos de futebol? E se não desmatarmos? São esses os tipos de alternativas que serão exploradas no Museu. Nosso conhecimento sempre tem limites, é sempre incompleto, mas através dele é que poderemos nos renovar e ser cada vez mais livres.

Fonte: Globo Universidade . globo . com

Sobre Denis Wesley

Pode invadir ou chegar com delicadeza Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir... Não grite comigo, eu tenho o péssimo hábito de revidar... Tenha vida própria, me faça sentir saudades... Conte umas coisas que me façam rir... Acredite nas verdades que digo e nas mentiras, elas serão raras, mas sempre por uma boa causa... Respeite meu choro... Deixe-me sozinho, só volte quando eu chamar, e não me obedeça sempre é que eu também gosto de ser contrariado... Invente um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o inverta as vezes... Então: Sou Denis Wesley, muito prazer.

Publicado em 12/04/2011, em Ciências. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: