Resenha do livro A cura de schopenhauer


Resenha do livro A cura de schopenhauer

Psicóloga Sonia Nukui
Psicóloga Clínica

“Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça (…) No final, ela vence, pois desde o nascimento é o nosso destino e ela brinca um pouco com sua presa antes de comê-la. Mas, continuamos vivendo com grande interesse e inquietação pelo maior tempo possível”. (Yalom, 2006, p. 6)

A morte é a nossa companheira e nos espreita pelo caminho, a qualquer momento virá. O que fazer se todos os nossos atos, ou pelo menos a maioria deles aponta para vida, se afinal seremos indubitavelmente engolidos pela morte? Devemos esperá-la de braços abertos, já que não teremos como vencê-la? Ou, devemos encará-la de frente e vivermos até o momento de morrermos.

No livro “A cura de Schopenhauer” a questão da finitude e suas implicações se apresentam contundentemente. Julius Hertzfel, psiquiatra renomado e defensor da terapia em grupo, tinha uma vida atraente e fazia o que mais gostava, contudo, o destino resolve impiedosamente visitá-lo. Chegara à hora de se despedir do palco da vida, deixando os agradecimentos e aplausos para aqueles que continuariam a atuar.

Ao saber sobre a doença incurável (melanoma, câncer maligno de pele) é sobressaltado por inquietações, afinal, durante o seu trabalho com os pacientes havia tratado destas questões existenciais, mas agora o que fazer? Fugir, muito improvável, para onde? Quem poderia ajudá-lo a enfrentar o fim de sua existência? Questionou-se. Havia contribuído para amenizar as dores e sofrimentos de seus pacientes, acreditara que fizera diferença, entretanto, tivera fracassos.

Movido por esta inquietação, resolveu rever arquivos antigos de alguns pacientes, talvez se tivesse indícios de que fora importante a sua dor, possivelmente, seria amenizada. Ao reler antigas anotações, uma em especial lhe chamou a atenção por considerá-la como o maior fracasso de sua vida profissional, um ex-paciente Philip Slate, que havia abandonado a terapia há vinte e dois anos “era tão alienado de si mesmo que nunca pensou em olhar para dentro, preferindo surfar na superfície da vida (…) ” (p.21).

Relembrou que apesar do envolvimento, do apoio, do afeto, das interpretações nenhum progresso ocorrera deixando-o angustiado e impelindo-o a buscar informações. Decidiu contatar o ex-paciente, mencionando que estava com problemas de saúde e que iria se aposentar, assim gostaria de rever alguns de seus ex-pacientes, para saber como estavam desde o término da terapia.

De acordo com esse ex-paciente a terapia não o ajudou na resolução de seus conflitos, enfatizando que obteve cura através da biblioterapia, “Um tratamento através dos livros, assimilando o pensamento dos maiores sábios que já existiram” (p.36), especialmente, as doutrinas de Schopenhauer.

O Drº Hertzfel menciona o desejo de saber o que fez com que Philip desistisse da terapia para buscar a cura através da filosofia. Philip concorda em compartilhar sua experiência, após algumas considerações, o Drº Hertzel torna-se o supervisor de Philip e este passa a freqüentar o grupo de terapia como paciente.

No decorrer do enredo torna-se evidente a posição de idéias diferentes para as questões humanas. Os integrantes do grupo vão entrando em contato com essas divergências que são sustentadas por Julius e o Drº Hertzfel e assim se apropriam e compartilham as dificuldades emocionais como: a raiva, a culpa, a reparação, a onipotência entre tantas outras. Pode-se dizer que o acolhimento, a continência, a empatia e o respeito imperavam naquele grupo, destacando a força que todos do grupo dispensavam ao seu terapeuta devido a sua doença.

O Drº Hertzfel ao se deparar com o final de sua vida, se propõe a promover a vida, suscitando em Philip um novo olhar para as questões humanas. Assim, deixa claro que a “salvação só é atingida quando se constrói relacionamentos sólidos, baseados no amor e na compreensão das diferenças e dos limites de cada um”. Após sua morte, dois integrantes de seu grupo dão continuidade ao que acreditara, tornando-se terapeutas de grupo.

Em um dos primeiros atendimentos, um destes terapeutas “Philip” se dirige às pessoas que estão participando mencionando que “gostaria de dizer-lhes uma coisa que aprendi com o Drº Hertzfel um ser humano maravilhoso que me ensinou muito mais do que ser terapeuta, me ensinou a ter amor pelas pessoas. Assim, tenho certeza que vocês estão achando um começo tempestuoso, mas tenho a impressão, a forte impressão de que, quando este grupo terminar, vocês terão grande importância um para o outro”.

“Estou cansado, no final da estrada. A Fronte exausta mal consegue suportar os louros. Mesmo assim, vejo com alegria o que fiz, sem me intimidar com a opinião dos outros. O ser humano aprendeu comigo algumas coisas que jamais esquecerá.” (p. 326)

Fonte: http://www.psicologianocotidiano.com.br

Download do Livro:  http://arcaliteraria.org/arcaliteraria/wp-content/uploads/1300/%5Blivrosparatodos.net%5D.Irvin.D.Yalom.A.Cura.de.Schopenhauer%28pdf%29.pdf

Sobre Denis Wesley

Pode invadir ou chegar com delicadeza Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir... Não grite comigo, eu tenho o péssimo hábito de revidar... Tenha vida própria, me faça sentir saudades... Conte umas coisas que me façam rir... Acredite nas verdades que digo e nas mentiras, elas serão raras, mas sempre por uma boa causa... Respeite meu choro... Deixe-me sozinho, só volte quando eu chamar, e não me obedeça sempre é que eu também gosto de ser contrariado... Invente um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o inverta as vezes... Então: Sou Denis Wesley, muito prazer.

Publicado em 17/04/2011, em O que eu estou lendo agora. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: